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Preparar jovens especiais para o mercado de trabalho é a missão da AIPNE

Preparar jovens especiais para o mercado de trabalho é a missão da AIPNE

Associação para a Integração de Pessoas com Necessidades Especiais funciona em Alverca

Instituição proporciona formação e apoio ao emprego a 48 jovens com necessidades especiais várias. Os tempos não são fáceis, por causa das dificuldades de financiamento, mas a satisfação pelo trabalho desenvolvido é grande.

Edição de 10.02.2016 | Sociedade
A Associação para a Integração de Pessoas com Necessidades Especiais (AIPNE), com sede em Alverca, está a passar por uma fase complicada, pois os apoios estatais que permitem a esta Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) desenvolver a sua missão estão travados por ainda não haver Orçamento de Estado. E quando chegarem, ao que tudo indica, serão insuficientes para o normal funcionamento da associação. Quem o diz é o presidente e sócio nº1, Diamantino Silva. “Temos 28 jovens em formação num protocolo com o IEFP. Este ano está muito mau. Por o governo ter entrado em funções mais tarde, e por não haver Orçamento de Estado, todas as instituições que trabalham nesta área estão com dificuldades financeiras, porque o dinheiro que supostamente vai aparecer numa resolução de Conselho de Ministros é só 50% do que precisamos. No primeiro trimestre iremos receber 27 mil euros e precisamos de 53 mil euros. Há o perigo muito real de a actividade ser prejudicada”, explica.Com esta dificuldade, a associação, que há 14 anos opera nas valências de formação, de Centro de Actividades Ocupacionais (CAO) e de Centro de Emprego Protegido (CEP), vai orientando a actividade no dia-a-dia para proporcionar sucesso aos jovens. A formação centra-se nas áreas de reposição no comércio, apoio à comunidade nas áreas de limpeza, de lavandaria, apoio a infantários, jardinagem nas juntas de freguesia de Alverca e da Póvoa, mecânica, restauração e apoio administrativo. “É feita 80% em contexto real de trabalho, 20% em sala de aula e, destes, 10% é ensino individualizado nas áreas em que apresentam mais dificuldades. Também temos um psicólogo a tempo inteiro só para trabalhar com estes jovens e duas formadoras”, esclarece o dirigente.Ao todo, a AIPNE tem 15 funcionários, com um orçamento de cerca de 600 mil euros por ano para trabalhar com jovens com limitações cognitivas e físicas dos 18 anos para cima, salvo algumas excepções. “No total temos 48 jovens. Vamos ter mais dois estagiários para o CEP na profissão de recuperação de calçado. Esta secção é o nosso porta-estandarte, mas está a ser difícil de suportar, porque temos um prejuízo de cerca de 10 mil euros por ano. É muito para uma instituição que vive das quotas dos sócios, dos subsídios da câmara pelo trabalho que fazemos no concelho, mas a nossa abrangência é maior, por isso recebemos miúdos de Loures, Alenquer e até Almada e essas câmaras não comparticipam com coisa nenhuma”, destaca.Apesar de todas estas dificuldades, a satisfação não podia ser maior. “Quando chega ao fim a formação e eles têm acesso a emprego é uma satisfação. O que mais me gratifica é que os jovens saem e dizem adeus à espera de voltar no dia a seguir. Muitos chegam aqui - não sei o que é que a escola faz por eles - sem saber ler nem escrever e saem daqui a saber”.Por fim, Diamantino deixa um apelo. “Na formação de calçado, as pessoas já não optam por colocar umas capas que custam 2 euros, preferem ir à feira comprar uns sapatos por quase o mesmo preço, mas são novos. Isso dá em falta de trabalho. Apelo à população de Alverca para utilizar os serviços do CEP, na Rua Infante Dom Pedro. Precisamos de mais trabalho. Ajudem-nos a ajudar”, concluiu.O sonho de mudar de instalaçõesA AIPNE está em fase de crescimento e o grande sonho da associação é mesmo poder mudar-se para uma nova casa que permitirá mais e melhor serviço. “Temos um protocolo com a junta de freguesia, a quem a câmara cedeu o espaço da Escola do Brejo, com a condição de metade da mesma reverter para a AIPNE. O protocolo está assinado, o projecto aprovado na Segurança Social para aumentar a capacidade do CAO de 18 para 28 utentes, falta apenas que os programas respectivos abram para nos podermos candidatar a fundos públicos. Teremos muito mais qualidade de vida, com espaço para brincar e um terreno para horticultura e floricultura”, diz.
Preparar jovens especiais para o mercado de trabalho é a missão da AIPNE

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