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Na noite de música africana em Alverca faltou a comunidade dos PALOP

Na noite de música africana em Alverca faltou a comunidade dos PALOP

A Companhia Cegada e o Museu de Alverca voltaram a trazer o artista angolano Chalo Correia às Noites do Pelourinho, para uma plateia vasta onde se notou a ausência da comunidade africana do concelho de Vila Franca de Xira.

Edição de 19.07.2017 | Cultura e Lazer

À hora marcada, Chalo Correia subiu ao palco acompanhado de Galiano Neto, a convite do Grupo de Teatro Companhia Cegada e do Núcleo Museológico de Alverca, para o segundo ano consecutivo de presença nas Noites do Pelourinho. A iniciativa visa divulgar diferentes estilos de música e artistas que não passam pelos grandes palcos do país, mas também merecem atenção, e este ano a dupla angolana voltou a aceitar o convite “com todo o gosto, porque é um prazer actuar aqui”, contou Chalo Correia ao fim das duas horas de concerto.
“A recepção que nos deram foi muito boa e não foi só chegar aqui e tocar: também conseguimos despertar as pessoas para esta culturalidade que é nossa, da lusofonia, em que as temos de estar integrados”, explicou Chalo, defendendo que essa integração ainda não existe em pleno, o que foi visível pela falta de adesão da comunidade africana ao concerto.
Entre as mais de 200 pessoas que estiveram no público contaram-se principalmente moradores das redondezas do Museu de Alverca e do Pelourinho ou habitués das actividades organizadas pelo Museu e pela Companhia Cegada. “Não sei se será pelo facto de não haver inserção da comunidade africana com a devida regularidade, ou por eles também se colocarem num determinado nicho onde se sintam confortáveis, e por isso não vêm ver. Mas não nos preocupamos muito com isso porque esta é uma acção cultural generalista”, explicou Rui Dionísio, director artístico da companhia.
Também uma técnica do Museu explicou que “tentámos divulgar o espectáculo desta noite e chamar a comunidade africana e vários membros foram passando aqui perto durante a tarde e viram o que ia acontecer, mas depois não aparecem”.

Música africana não é só kizomba
Chalo indigna-se por sentir que muitas pessoas acreditam que o kizomba engloba toda a musicalidade do seu continente: “África é um mundo muito grande, nem nós que nascemos lá conhecemos a dimensão cultural dela, e nós fizemos muitas viagens para conhecer a cultura de vários países e para a integrarmos na música”. O primeiro álbum de Chalo Correia saiu em 2015 e foi nomeado para os mais altos prémios da música angolana, os Angola World Music. Agora acaba de lançar o segundo disco, que também está a ser bem aceite.
“São os ritmos e os sons das músicas dos anos 60, que eu ouvia muito quando era pequeno, que influenciam a minha música, não é aquilo que se toca hoje nas rádios”. Galiano Neto vai mais longe, explicando que a kizomba “não nos identifica” e que é uma variação de um outro estilo recente na música africana, o zuok, que já de si deriva das músicas tradicionais do continente.

Na noite de música africana em Alverca faltou a comunidade dos PALOP

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