
Marcelo Ribeiro é um ribatejano a treinar no país do bacalhau
Nunca pensou sair de Portugal mas uma oportunidade para leccionar no estrangeiro fez Marcelo Ribeiro, natural de Abrantes, pensar duas vezes e partir à aventura. Actualmente a residir em Oslo, capital da Noruega, é treinador de futebol num dos clubes históricos da cidade. Sente-se realizado e mantém a esperança de um dia regressar ao seu país.
Marcelo Ribeiro, 30 anos, estava feliz em Portugal e nada fazia prever que saísse do país. Mas a oportunidade de se poder candidatar a um programa de mobilidade europeu para professores recém-formados, quando frequentava o último ano de mestrado em Ensino na Universidade de Évora, trocou-lhe as voltas. Acabou por ser seleccionado para leccionar em Øystese, na Noruega, e partiu sozinho, em 2012, para o país escandinavo conhecido pelo bacalhau.
“Quando cheguei à Noruega, para além de ser professor, assinei como jogador de futebol do Øystese Fotball, que me ajudou a conhecer muitas pessoas. O facto de falar fluentemente inglês também ajudou, pois aqui quase toda a gente é bilingue”, confessa o professor de Educação Física, de Abrantes, que reside neste momento na capital norueguesa, Oslo.
Actualmente a treinar a equipa B sénior feminina e, como assistente, a equipa sub-14 feminina do Lyn Fotball Damer, para além de ser responsável pela metodologia da academia do clube, Marcelo Ribeiro lembra que, antes das restrições resultantes da pandemia de Covid-19, passava os dias entre reuniões, planeamento de treinos, treinos e jogos das suas equipas.
Solteiro e sem filhos, os poucos tempos livres que tem costuma aproveitar para ler e manter contacto com os amigos mais chegados e a família. Agora, confinado em casa, diz que tem passado o tempo a contactar os atletas, a preparar os planos de treino individuais e a colocar a conversa em dia.
Marcelo Ribeiro explica que existem bastantes diferenças entre Portugal e Noruega. Começa logo pela responsabilidade cívica, mais apurada entre o povo nórdico. Depois, existe uma forma de relacionamento mais distanciado. A população preza bastante o seu espaço individual e simples gestos como um abraço, normais entre os portugueses, são muitos raros entre os noruegueses.
Pizza na maioria das mesas da Noruega
Apaixonado pelo seu país natal, o jovem diz que do que sente mais saudades é da família, dos amigos e do sol. Devido à carga de trabalho que tem tido fica mais difícil vir a Portugal. “Costumava ir três ou quatro vezes por ano. Este ano talvez consiga no Verão, quando tenho uma semana sem treinos e jogos”, afirma. Felizmente, adianta, há as vídeo-chamadas e os e-mails que permitem encurtar distâncias. Não tem por hábito cozinhar pratos portugueses para matar saudades, nem tão pouco da cozinha local. “Na Noruega consome-se muito mais pizza que bacalhau”, revela.
Segundo Marcelo Ribeiro, os treinadores de futebol na Noruega contam com menos pressão na obtenção de resultados e melhores ordenados que em Portugal. Também os adeptos noruegueses são menos fanáticos e revelam maior respeito quando assistem aos jogos de futebol. “Aqui, as pessoas até simpatizam mais com clubes ingleses do que com noruegueses. Isto porque a Premier League (liga de futebol inglesa) começou a passar na televisão nacional muito antes do campeonato norueguês”, justifica o emigrante.
Olhando com boas perspectivas o seu futuro e o de Portugal, Marcelo Ribeiro garante que está entre os seus objectivos regressar a Portugal e quer também que os filhos que vier a ter mantenham uma ligação com o nosso país. “Queremos que os nossos filhos tenham uma hipótese de lutar pelas melhores oportunidades e, comparando com a Noruega, não estou seguro que Portugal seja o melhor país nesse aspecto”, considera.
