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Corte de sobreiros na Ribeira do Cartaxo levanta dúvidas
Moradores estão divididos quanto ao corte das árvores

Corte de sobreiros na Ribeira do Cartaxo levanta dúvidas

Autoridades desconhecem o caso, que suscita dúvidas em relação à legalidade da operação, por se tratar de uma espécie protegida.

Edição de 17.06.2020 | Sociedade

Vários sobreiros na Quinta da Cabreira, na Ribeira do Cartaxo, foram cortados e as raízes enterradas na semana passada. A situação foi denunciada por um popular, que levantou dúvidas quanto à legalidade do abate de exemplares de uma espécie protegida, desconhecendo-se também se as árvores estavam doentes e se o proprietário tinha autorização para o abate.
O MIRANTE contactou o Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR que disse não ter informação do sucedido, tal como o presidente da União de Freguesias do Cartaxo e Vale da Pinta, Délio Pereira. No início da semana passada o nosso jornal contactou também a Câmara do Cartaxo e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), mas até ao momento também não obteve quaisquer esclarecimentos sobre a situação.
Na página do ICNF na Internet refere-se que, segundo a legislação em vigor, o corte ou a poda de sobreiros e azinheiras devem ser requeridos pelos interessados e autorizados pelo ICNF. Os exemplares a abater têm de ser previamente cintados com tinta indelével e de forma visível.
A denúncia foi feita na segunda-feira, 1 de Junho, por um popular que testemunhou o corte. Moradores da zona mostraram-se divididos quanto ao abate das árvores. Enquanto uns estavam a favor face à perigosidade que as ramagens das árvores representavam para quem passava na estrada contígua, outros defendiam que a melhor solução seria a poda de forma a respeitar esta espécie protegida.
Francisco Félix, 75 anos, reside em frente da entrada da Quinta da Cabreira. Desde jovem que se habituou a ver os sobreiros naquele espaço. Recorda que os sobreiros foram plantados junto à estrada para fazer uma espécie de cerca para impedir o gado de sair da propriedade. Na altura, havia pessoas que vinham de Nisa, no Alentejo, durante dois meses, para apanhar a azeitona e também limpar os sobreiros e retirar a cortiça.
“Hoje não fazem nada disso. Não se pode limpar o sobreiro nem se pode retirar nada. Como é isto?”, questiona o morador indignado. Francisco Félix diz que aquelas árvores estavam velhas e necessitavam de ser urgentemente cortadas sob pena de poder acontecer ali uma tragédia. Há cinco anos uma moradora da rua ia sendo apanhada por um sobreiro que caiu. “Foi uma sorte não lhe ter caído em cima”, confessa o morador a O MIRANTE.
António Silva reside a poucos metros do terreno. O reformado, de 85 anos, lembra que o sobreiro é uma espécie protegida e que dá lucro por isso não faz qualquer sentido cortá-los. “Se vendessem a madeira ainda faziam dinheiro, agora estarem a enterrar a madeira e as raízes das árvores...”, desabafa.
O MIRANTE não conseguiu contactar com o proprietário da quinta que, segundo nos disseram, não reside no concelho.

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