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Deslocalização de passagem de nível perigosa em Vila Franca de Xira suspensa
Cristino Vitorino, Maria José Costa e Fernando Clemente

Deslocalização de passagem de nível perigosa em Vila Franca de Xira suspensa

Município adiou pretensão de deslocalizar a passagem de nível do cais depois de ouvir moradores e comerciantes da zona. Quem ali vive e trabalha diz a O MIRANTE que fechar a actual passagem vai asfixiar e matar a vida que existe no cais da cidade.

Edição de 05.08.2020 | Sociedade

A deslocalização da perigosa passagem de nível do cais de Vila Franca de Xira não vai avançar para já e vai ser reavaliada. A decisão foi tomada depois de uma reunião entre a câmara municipal e os moradores e comerciantes da zona do cais na sexta-feira, 26 de Junho, onde a maioria se mostrou contra a obra, defendeu a continuidade da actual passagem e pediu a colocação ali de um guarda que impeça a população de atravessar a linha durante os avisos sonoros. Em 13 anos morreram 29 pessoas nessa passagem de nível.
O município tinha estabelecido um acordo de colaboração com a Infraestruturas de Portugal (IP) para encerrar a actual passagem e deslocalizá-la 250 metros para sul, numa zona com maior visibilidade no início da Rua Primeiro de Dezembro, permitindo o atravessamento de peões e automóveis com maior segurança. Foi um processo que se arrastou durante quase uma década. O presidente da câmara, Alberto Mesquita (PS), vai agora tentar junto da IP que esta assuma o compromisso de financiar a colocação de um guarda de linha na actual passagem enquanto se analisa o que fazer quanto à deslocalização. Mas isso não é um dado adquirido, já que a IP apenas financiava essa solução transitória na premissa da passagem actual ser deslocalizada.

População diz que solução mata o cais
“É positivo não mudarem a passagem de nível de local. As pessoas estão habituadas a atravessar aqui e vive muita gente idosa que não tem capacidade de dar a volta por outro lado. Esta é a passagem ideal desde que haja segurança”, defende Cristino Vitorino, dono da Peixaria do Cais, a poucos metros da passagem. Caso a passagem fosse fechada, diz, toda a zona do cais ia perder. “Iam matar o cais se fechassem esta passagem. É uma zona com muita vida, gente a passear, gente que vive e trabalha aqui”, conta o empresário, que tem porta aberta há mais de três décadas.
Opinião semelhante tem Fernando Clemente, dono do restaurante Cancela desde 1982. Não tem dúvidas que fechar a actual passagem seria negativo para toda a cidade e aponta a falta de um guarda de linha como o principal problema. “A maior parte das mortes que têm acontecido aqui têm sido por suicídio e não acidente. E isso tanto acontece aqui como 250 metros mais abaixo. Não ia ser solução e ia criar um tampão que vai matar a vida que aqui existe”, declara a O MIRANTE.
O cais da cidade é um espaço típico e com as vistas mais bonitas da cidade ribeirinha. Tem vida própria, com dezenas de moradores, várias tertúlias, garagens, um bar, uma peixaria e o restaurante de Fernando Clemente. “Para quem gosta do cais manter a passagem é a melhor solução. Temos aqui um sítio lindo que pode ser ainda melhor aproveitado”, refere.
Na rua ao lado vive há 65 anos Maria José Costa, um rosto conhecido da zona. Também não quer a passagem de nível encerrada. “Quebrava a ligação da cidade com o Tejo e ninguém pode garantir que não haja na mesma as distracções e os suicídios. Há que respeitar o sinal sonoro e ninguém respeita”, lamenta. Diz que encerrar a passagem só faria sentido caso fosse construída uma passagem superior ou inferior à linha de comboio.

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