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“É uma vergonha que o rio Tejo seja uma ribeira na zona de Ortiga”
foto DR Leonel Mourato (segundo à direita) é um dos principais impulsionadores das Rotas de Mação

“É uma vergonha que o rio Tejo seja uma ribeira na zona de Ortiga”

Leonel Mourato é praticante de geocaching e foi através da paixão pela actividade que teve a ideia de criar as Rotas de Mação. Durante um ano percorreu com amigos todo o concelho de mochila às costas. Delinearam 15 percursos pedestres, um para cada freguesia, e apresentaram o projecto à Câmara de Mação que o recebeu de braços abertos. Quatro percursos estão homologados e se não fosse a pandemia já estariam a ser utilizados. O objectivo é atrair turistas ao concelho e mostrar as maravilhas naturais de Mação.

Edição de 05.08.2020 | Sociedade

“Todos sabemos que o maior caudal de poluição no rio Tejo vem sobretudo de Vila Velha de Rodão. É uma vergonha que os interesses das empresas se sobreponham à natureza e é uma vergonha que o maior rio da Península Ibérica seja uma ribeira na zona de Ortiga e que por vezes seja possível atravessá-lo a pé”. A opinião é de Leonel Mourato quando questionado sobre qual considera ser o maior tesouro de Ortiga, sua terra natal.
Leonel Mourato, bancário a viver em Esmoriz (distrito de Aveiro) há vários anos, é um dos principais impulsionadores do projecto Rotas de Mação, que vai ter 15 rotas pedestres, uma em cada freguesia. O objectivo é atrair turistas e fazê-los permanecer vários dias para conhecerem o concelho.
Leonel Mourato e Jorge Lemos (natural de Envendos) são praticantes de geocaching (caminhada ao ar livre que funciona como uma espécie de caça ao tesouro através de coordenadas GPS) e foi a paixão por essa modalidade que os inspirou a criar as Rotas de Mação. Andaram cerca de um ano de mochila às costas a calcorrear as terras do concelho e a desenhar as diversas rotas, uma para cada freguesia. A eles foram-se juntando mais pessoas que têm em comum serem naturais do concelho ou viverem lá e gostarem de caminhar ou praticar geocaching.
Com o projecto concluído no papel, apresentaram-no à câmara municipal que acolheu a ideia de braços abertos. O município, juntas de freguesia, associações e empresários estão envolvidos nesta ideia que pretende dinamizar o turismo no concelho. “A câmara e as juntas de freguesia são a mãe e o pai deste projecto porque o apoio financeiro e de construção do que é necessário é todo deles. Nós apenas demos a ideia e criámos os percursos. Queremos que as pessoas conheçam Mação não só por ser o concelho que tem 80% da sua área florestal ardida”, afirma Leonel Mourato a O MIRANTE.
A este conjunto de entidades juntaram-se o Instituto Politécnico de Tomar (IPT) e o Instituto Terra e Mar. O objectivo é usufruir de todo o conhecimento do IPT, nomeadamente no âmbito da arte rupestre, pela qual Mação é reconhecido pela Unesco. Quatro rotas já estão homologadas e podem ser utilizadas pelos turistas. A rota programada para Cardigos está atrasada porque o caminho previsto foi atingido pelo incêndio do ano passado. A pandemia de Covid-19 tem atrasado o processo, que já poderia estar implementado.

Rotas de Mação pretende desenvolver fileiras do pão, azeite, vinho e presunto
As Rotas de Mação pretendem desenvolver em Mação as fileiras do pão, do azeite, do vinho e do presunto, produtos de elevada qualidade produzidos no concelho. O bancário explica que na rota da Queixoperra, na zona do Poço das Talhas, o município, a junta de freguesia e a associação local recuperaram um conjunto de azenhas que eram movidas a água que vinha pela ribeira.
“Os turistas podem ver a moagem do trigo, preparar o pão, colocá-lo no forno e comer o pão que eles próprios fizeram. Na rota da Ortiga pretendemos que o turista vá no barco tradicional da aldeia, o picareto, e pesque o peixe que depois vai comer. Não queremos que as pessoas venham só caminhar”, realça. Além disto, os visitantes também vão poder conhecer quedas de água, ribeiras, grutas e passadiços que há no concelho de Mação.
O problema é o alojamento que praticamente não existe no concelho. Existem cerca de 20 camas, o que não é suficiente para o que pretendem. Leonel conta que estão a tentar entusiasmar os empresários a criarem mais alojamento mas tem sido a parte mais difícil. Também estão a tentar que os empresários da restauração se alinhem pelo menos na confecção de um menu semelhante sobretudo à base de peixe, queijo e presunto que são os principais produtos do concelho.
O protocolo para o projecto das Rotas de Mação foi assinado em Outubro do ano passado e quatro percursos já podem ser feitos assim que a pandemia permita que as pessoas se juntem. Leonel Mourato diz que o seu objectivo, e do “exército” de 40 maçaenses espalhados pelo país, é acrescentar valor e ajudar a desenvolver o concelho que tem sido tão fustigado pelos incêndios dos últimos anos.

Serra do Bando é a segunda mais alta do distrito de Santarém

Leonel Mourato diz que Mação tem vários tesouros mas o maior de todos é a Serra do Bando dos Santos. É o segundo ponto mais alto do distrito de Santarém e a vista, do topo, é fabulosa. Um geólogo explicou que aqueles dois montes estavam debaixo do oceano há milhões de anos. Quando as placas tectónicas se separaram aqueles rochedos rolaram desde a zona de Peniche até ali. “Em Peniche encontramos o mesmo tipo de geologia mas se descermos os montes a geologia já é diferente”, explica.

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