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“Não é a profissão que define a nossa competência ou inteligência”
Clara Minhoto já quis ser médica, juíza e cabeleireira. Optou por Gestão e pisca o olho à política e Joana Mileu tem o sonho de abrir uma clínica veterinária

“Não é a profissão que define a nossa competência ou inteligência”

O Dia Mundial das Competências dos Jovens serviu de mote à conversa com Joana Mileu, de Vila Franca de Xira, e Clara Minhoto, de Mação, duas jovens que se destacam no meio escolar como as melhores alunas dos seus agrupamentos, mas que não se consideram “marronas”.

Edição de 05.08.2020 | Sociedade

Joana Mileu frequenta a Escola Secundária do Forte da Casa, Vila Franca de Xira, tem 18 anos e é aluna de nota 20 às disciplinas de Matemática, Biologia e Aplicações Informáticas. Um 17 a físico-química também não destoa na pauta com média global de 17,5. A jovem soube desde muito cedo que queria seguir medicina veterinária e que, para isso, tinha de queimar algumas pestanas.
Não se considera “marrona”, mas aos olhos dos colegas é tida como um exemplo a seguir, a quem recorrem para pedir apontamentos de estudo. Inclusive o namorado que frequenta a mesma turma. Ao longo da vida foi ouvindo, “com essas notas devias ir para medicina”, uma afirmação que chega também do seio familiar e que por isso não a magoa. “Nunca iria só por ter boas notas”, ressalva, considerando que não é a profissão que define se somos mais ou menos competentes ou inteligentes.
Importa não esquecer, sublinha, que muitos jovens tiram cursos superiores e depois não conseguem emprego na sua área de trabalho e têm de trabalhar em lojas de superfícies comerciais. Ou seja, embora grande parte dos jovens estudem para adquirir mais competências, o mercado de trabalho não consegue empregar todos nas suas áreas de formação.
Para Joana Mileu, trabalhar é também uma forma de se tornar mais competente, o que a leva a equacionar trabalhar e estudar ao mesmo tempo quando ingressar na faculdade. Tem o sonho de abrir uma clínica veterinária e todo o dinheiro que conseguir juntar será para esse fim.
A conversa decorreu na biblioteca da Escola Secundária do Forte da Casa, onde, confessa, raramente entra. Gosta de estudar em casa e sozinha, para poder debitar a matéria em voz alta. É assim que aprende melhor. E sobre o verbo aprender, Joana tem algo a dizer: “É o que compete a um aluno. Não é decorar, engolir a matéria para despejar num teste. Não temos que saber tudo”.
Se ocupasse um cargo de decisão, no que toca ao ensino, não tinha dúvidas: acabavam-se os testes com matérias de três anos lectivos e melhorava as condições das salas de aulas. No que respeita à sociedade, e embora saiba que aí não é só uma questão de educação, mas também de mentalidade, se pudesse mudar algo acabava com os comentários como, “no meu tempo eu já tinha”, ou “no meu tempo eu já fazia”. “Os mais velhos às vezes não percebem que os tempos mudaram, que fazemos as coisas, atingimos objectivos em idades diferentes”, diz. E remata: “Cada um tem de aprender por si, ao seu ritmo”.
Uma carreira política no horizonte
Clara Minhoto foi a melhor aluna do Agrupamento de Escolas Verde Horizonte, em Mação, no ano lectivo 2018/2019, por ter tido as melhores notas no 12º ano. Aos 19 anos terminou o primeiro ano do curso de Gestão na Universidade Nova, em Lisboa. Entrou com média de 18,4 valores quando a média pedida era 17,5. Tal como Joana, Clara garante que nunca foi “marrona” e que o segredo do sucesso escolar é estar atenta nas aulas.
Venceu todos os prémios na escola de Mação e em breve a sala de matemática vai ter o seu nome. “A sala tinha o nome da aluna que antes de mim também venceu os prémios na escola. Agora vai ter o meu nome até que haja um novo aluno que vença os mesmos prémios”, explica descontraída a O MIRANTE.
Já quis ser médica, juíza e cabeleireira. Indecisa, optou por Gestão por ser um curso que permite trabalhar em diversas áreas. Fazer o programa Erasmus é uma certeza uma vez que a experiência internacional é muito valorizada na sua faculdade. Notou uma grande diferença no ritmo mais avançado da faculdade. Confessa que agora estuda todos os dias para conseguir acompanhar a matéria das várias disciplinas.
Clara tem namorado, natural de Abrantes, mas que também estuda em Lisboa. “Ele esquiva-se um bocadinho de estudar. Às vezes tento estudar com ele mas não é fácil. Nunca discutimos por causa dos estudos mas na altura dos exames queixa-se que não lhe dou muita atenção”, confessa, soltando uma gargalhada.
Durante os meses de confinamento deixou Lisboa e regressou a Penhascoso. As aulas online não foram fáceis. Sentiu falta dos colegas e dos professores. As notas baixaram um pouco, mas passou de ano. “Apesar de ter mais tempo para estudar não conseguia estar 100% concentrada nos estudos. Foi difícil”, admite.
Interessada por política iniciou agora a sua actividade partidária na Juventude Social-Democrata em Mação. Gostava de ter uma carreira política e imagina-se como deputada na Assembleia da República ou como presidente da câmara municipal do seu concelho. Se ocupasse um cargo de decisão criava mais apoios para os jovens prosseguirem os estudos no ensino superior. “No ensino superior público não deveriam existir propinas de modo a haver igualdade para todos”, atira fazendo já soar a eventual bandeira de campanha eleitoral.

O Dia Mundial das Competências dos Jovens

O Dia Mundial das Competências dos Jovens, 15 de Julho, foi instituído pela Organização das Nações Unidas em 2014 e destaca as habilidades dos jovens e a sua importância à escala global. O objectivo da efeméride é alcançar melhores condições socioeconómicas para os jovens como forma de enfrentar os desafios do emprego e da educação.

“Não é a profissão que define a nossa competência ou inteligência”

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