uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante
Os bombeiros não são mendigos nem coitadinhos
Miguel Cardia comanda os Bombeiros Voluntários de Samora Correia há mais de duas décadas

Os bombeiros não são mendigos nem coitadinhos

Voluntários de Samora Correia apelam à população que troque as campanhas de entrega de alimentos no quartel pela inscrição como associados da corporação. O comandante Miguel Cardia acabou também com os peditórios porque dão uma imagem pouco dignificante dos bombeiros.

Edição de 05.08.2020 | Sociedade

O comandante dos Bombeiros Voluntários de Samora Correia (BVSC) apela à população que troque as campanhas de entrega de alimentos pela inscrição como associados da corporação, forma mais digna de apoiar estes profissionais. “Embora respeite – não sou contra quem as promove -, não considero que seja o adequado para que a população respeite os bombeiros, que são técnicos de emergência e socorro e não coitadinhos”, disse Miguel Cardia à Lusa.
O operacional revelou ainda que acabou igualmente com os peditórios, porque os bombeiros “não são mendigos”, optando por celebrar protocolos de prestação de serviços com entidades que apoiam necessidades específicas da corporação e que recebem em troca ajuda técnica dos bombeiros, nomeadamente na área de segurança contra incêndios e manutenção de extintores.
Num comunicado sobre as campanhas de apoio aos bombeiros voluntários que, com a aproximação da época propícia aos incêndios, começaram a circular nas redes sociais, nomeadamente com apelos à entrega de águas, barras energéticas, bolachas, entre outros alimentos, Miguel Cardia sublinhou que a sua corporação tem garantida a alimentação adequada de todos os elementos.
Miguel Cardia afirmou que, desde que assumiu o comando dos BVSC, há mais de duas décadas, cada bombeiro tem uma lancheira com uma ração diária que é elaborada com a ajuda de uma nutricionista, colocada em todos os veículos, permitindo “total autonomia, caso a logística da operação de combate ao incêndio falhe”.
Segundo o comandante, com uma verba que não chega aos 500 euros anuais, o quartel dispõe de uma “grande reserva de bens alimentares e águas, que é gerida com todo o rigor, em termos de validade dos produtos e de reposição imediata, cada vez que um veículo regressa ao quartel, após um incêndio”.
“Em cada operação de combate a incêndios rurais é implementado um sistema de apoio logístico a todos os elementos, que inclui todas as refeições, acrescidas de mais dois reforços entre refeições, cujo pagamento é feito pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil”, acrescentou.
Por isso, Miguel Cardia pediu à população que não adira a essas campanhas, já que existem formas “mais simples e com vantagens” para os próprios e seus familiares, como serem associados, com uma quota mensal de 1,5 euros que lhes dá acesso a um conjunto de serviços da corporação e de descontos decorrentes de protocolos que esta celebrou com várias entidades.
“O estabelecimento de parcerias permite a dignificação dos bombeiros e que o apoio seja devidamente canalizado para o que realmente necessitamos”, disse, lamentando os relatos de “arrecadações cheias de produtos fora de prazo” e as imagens “degradantes” de ‘posts’ colocados nas redes sociais.
Para o comandante, desde que as câmaras municipais e os Serviços Municipais de Proteção Civil cumpram o seu dever legal, os bombeiros não precisam ser sujeitos à figura de “coitadinhos”.

Os bombeiros não são mendigos nem coitadinhos

Mais Notícias

    A carregar...

    Capas

    Assine O MIRANTE e receba o Jornal em casa
    Clique para fazer o pedido