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Vacinação contra a raiva diminui e há mais animais abandonados
O Fiel foi o primeiro patudo a receber a vacina em Casével. Margarete Cruz e Mara Rente percorreram as freguesias do concelho de Santarém

Vacinação contra a raiva diminui e há mais animais abandonados

Embora seja uma doença erradicada, a vacinação para a raiva continua a ser obrigatória. Campanha no concelho de Santarém passou por todas as freguesias e apanhou muita gente de surpresa por estar suspensa desde Março. A procura da vacina diminuiu mas o grande problema é o aumento dos maus tratos e abandono de animais.

Edição de 02.11.2020 | Sociedade

José Fernando Gomes foi o primeiro a chegar ao largo da Comenda, na freguesia de Casével, Santarém. Na caixa da carrinha vem o Fiel, de seis anos. Aproveita a passagem pela freguesia da Campanha Nacional de Vacinação Anti-rábica e de Identificação Electrónica, no concelho de Santarém, que começou a 10 de Setembro em Abitureiras e passou na manhã de quinta-feira, 1 de Outubro, por Casével.
Já passa das 10h30 e tanto o dono como o Fiel estão impacientes. Uns minutos depois chegam Margarete Cruz, veterinária municipal, e a auxiliar Mara Rente. Para José Fernando, esta é uma boa oportunidade para vacinar os animais, mas lamenta que “andem todos desencontrados”. Em casa ficaram mais dois que este ano não levam a vacina que passou a ser dada de três em três anos, porque se chegou à conclusão que mantinha o efeito por esse período de tempo. Quando há alguma doença grave leva os animais ao veterinário. Um dos que ficou em casa foi o labrador Teddy, o mais atreito às doenças. “Quanto mais apurada é a raça pior”, diz, reforçando que os rafeiros são mais resistentes.
Sentados num dos bancos em frente à escola básica, sob o olhar curioso das crianças no recreio, estão André Correia e Ana Rita Figueiredo. O casal trouxe consigo a Daisy, que completou três anos em Setembro, para levar a primeira vacina. A uns metros de distância, como mandam as regras da convivência social, estava Joaquim Fernando Batista com o rafeiro Ruca. Vive em Pernes e deixou escapar a oportunidade de vacinar o animal quando a campanha passou pela sua terra. Não lhe sabe precisar a idade e está um pouco apreensivo porque perdeu os documentos de identificação do Ruca. Além da vacina terá agora que fazer um novo registo, numa conta total que rondará os 13 euros.
Carlos Guerra também veio de fora da freguesia. Residente em Vale de Figueira aproveitou a passagem da campanha por Casével por ser numa data que lhe era mais conveniente. Consigo traz o Pirolito que acabou de completar um ano de vida e estreou-se tanto na vacina anti-rábica como nas viagens de automóvel.
Apoiado em muletas Manuel Gomes observa o movimento e, quando tem oportunidade, interroga a veterinária se será possível passar pela sua casa, a cerca de dois quilómetros, para vacinar os três animais que lá deixou. Como está lesionado não consegue colocá-los na carrinha. Margarete Cruz lamenta, mas não acede ao pedido. Mais tarde, quando o movimento diminui confessa a O MIRANTE que não pode abrir um precedente sob pena de ter todos os donos a fazer o mesmo pedido pelos mais variados motivos.
Margarete Cruz, natural de Almeirim, tem 43 anos e já leva 20 de profissão. É veterinária municipal em Santarém há cerca de um ano. Estreante nestas voltas pelas freguesias do concelho, Mara Rente é a auxiliar de serviço. Quando não está em campanha é voluntária no canil municipal.

Campanha tardia apanhou alguns de surpresa
Perto de uma dezena de canídeos foram vacinados. Um número inferior ao habitual, mas justificado pela veterinária pelo desconhecimento das pessoas pois a campanha de vacinação, que normalmente decorria nos primeiros meses do ano, esteve suspensa desde Março devido à Covid-19. Mais grave do que a diminuição na procura deste serviço, Margarete Cruz aponta que se tem notado um aumento dos maus tratos e abandono de ninhadas por dificuldades económicas para manter os animais e para os esterilizar. “Tentamos acolher alguns no canil, mas o espaço é limitado”, lamenta.
Apesar de a raiva estar erradicada no país há várias décadas, a vacina continua a ser obrigatória. Para a médica haveria outras vacinas, como por exemplo para a leishmaniose, endémica na região, ou para algumas doenças infecciosas, que faria sentido incluir no plano de vacinação, mas isso ficaria muito caro para o Estado. “Um dia lá chegaremos”, garante Margarete Cruz.

Vacinação contra a raiva diminui e há mais animais abandonados

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