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Quando um deputado chama aldrabão a um ministro está a falar em bom português

Edição de 02.11.2020 | Emails do Outro Mundo

Fulminante Manuel Serra d’Aire

Estou desconsolado com o anúncio da Câmara da Golegã de que este ano não há feira de São Martinho para ninguém por causa da pandemia de Covid-19. Nem feira nem tascas e venda ambulante com água-pé e castanha assada, nem cavalos na rua depois do final da tarde e até à manhã seguinte. Segundo a autarquia, estas medidas pretendem evitar um aumento de pessoas e de equinos na vila.
Não sei se o partido PAN já se apercebeu desta situação, mas o recolher obrigatório imposto às cavalgaduras entre as 20h00 e as 08h00 parece-me manifestamente exagerado, discriminatório e atentatório dos direitos dos animais. Não só porque cavalos, éguas, burros e mulas não têm por hábito beber e fazer estardalhaço até cair como também não são transmissores de coronavírus. Talvez fosse mais avisado fazer ao contrário: deixar andar à vontade os animais de quatro patas e restringir a circulação nocturna aos bípedes...
Sou daqueles que consideram a clareza da linguagem essencial para a qualidade da democracia, porque quanto mais esclarecidos forem os cidadãos mais discernimento têm para fazer as suas escolhas na hora de votar. Por isso abomino os discursos rebuscados e barrocos de muitos políticos, porque tendem a dissimular realidades, a deturpar factos e a endrominar os eleitores mais dados à iliteracia.
Pelo contrário, gosto de gente sem papas na língua como o deputado Duarte Marques. Não por concordar com tudo o que diz mas pela forma como o diz. Quando chama literalmente aldrabão ao ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, na sua página no Facebook, o jovem político de Mação está a deixar uma mensagem que toda a gente percebe. E sabe também as consequências que daí podem vir.
Se o deputado tivesse dito que o ministro era muito atreito a proferir inverdades ou que era um mitómano, o efeito não seria o mesmo. Assim, ficámos a saber o que pensa um deputado de um ministro, sem simulações nem eufemismos, e cada um que tire as suas conclusões. E ainda dizem que os políticos são todos uns fingidos...
Manel ando num desassossego porque parece que vou ser obrigado a trocar o meu velho telemóvel por um aparelho daqueles XPTO, em que possa descarregar a aplicação que o Governo nos quer obrigar a usar e que tem o pomposo e portuguesíssimo nome de StayAway Covid. Vai ser mais uma despesa extra a somar às das máscaras e do álcool gel, é o que é.
Não sei de onde saiu essa ideia peregrina, mas gostava que me explicassem como é que cumpre a lei quem for apanhado pelas autoridades sem telemóvel ou com um telefone incompatível com a aplicação? É obrigado pelo senhor polícia a dirigir-se à loja mais próxima para comprar um? E se não tiver dinheiro para gastar em telemóveis como é que depois vai pagar a multa?
Já dizia o grande cientista Albert Einstein: “Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, em relação ao universo, ainda não tenho certeza absoluta”.
Um SMS de cumprimentos do
Serafim das Neves

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