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Sucateiras são o destino final do material roubado por ladrões de metais 
Principal objectivo dos furtos é a venda dos materiais a sucateiras

Sucateiras são o destino final do material roubado por ladrões de metais 

O furto de metais não preciosos continua a ser um crime rentável que tem como destino final algums sucateiras. E há casos em que nem as próprias escapam aos ladrões. Autoridades registam 77 destes crimes no distrito de Santarém e nove em Vila Franca de Xira.

Edição de 02.11.2020 | Sociedade

Todos os anos ocorrem na região centenas de furtos de metais não preciosos, nomeadamente de cobre, representando perdas na ordem dos milhares de euros, sobretudo para as empresas de distribuição de água, energia e telecomunicações. Este ano a GNR registou no distrito de Santarém, até Setembro, 77 casos, dos quais 29 são de contadores de água, 19 de cabos de telecomunicações e três de baterias, todos eles comunicados ao Ministério Público. No concelho de Vila Franca de Xira, a PSP registou nove crimes da mesma natureza, três dos quais resultaram em detenções em flagrante delito.
Quem rouba este tipo de materiais, admite a PSP, dá-lhe geralmente como destino as sucateiras. E apesar da legislação obrigar a que seja feito um registo do material recebido e de quem o entrega, há sucateiras que continuam a alimentar este negócio. “Se o roubam é porque há sucateiras que o compram. E nesses casos não se fica com a identificação da pessoa, nem se regista a origem”, diz a O MIRANTE Francisco Paulos, responsável pela sucateira Valério Paulos, em Samora Correia.
E nalguns casos nem as próprias sucateiras escapam aos roubos destes materiais. Valério Paulos diz que já perdeu a conta às vezes que lhe roubaram “catalisadores, peças em alumínio e radiadores” que depois são vendidos a outras sucateiras. Os dois últimos furtos ocorreram há duas semanas, pela calada da noite. Ficou com um prejuízo de cerca de três mil euros.
À sua sucateira, garante, os ladrões só vão para roubar, por já saberem que ali nada se compra à peça. “É só viaturas completas e com toda a documentação”, refere. Já os sucateiros que “recebem todo o tipo de sucata” são o alvo de entrega. Ao que O MIRANTE apurou junto de sucateiras da região, de Tomar e Entroncamento, o quilo do cobre é o mais bem pago, entre os 3,50 e os 4,20 euros o quilo. Quando revende o produto, o mesmo sucateiro pratica preços que oscilam entre os cinco e os seis euros.

Águas do Ribatejo
soma milhares de euros
de prejuízo
A solução para travar este tipo de criminalidade passa em grande medida pela “sensibilização e fiscalização aos sucateiros”, defende Francisco Oliveira, presidente da empresa intermunicipal Águas do Ribatejo, que em 2019 teve um prejuízo na ordem dos dois mil euros devido a furtos destes materiais. O ano mais crítico foi, segundo o registo efectuado por esta empresa, o de 2013, com 10 furtos que representaram um prejuízo de 88.920 euros.
O presidente da Águas do Ribatejo, e também da Câmara de Coruche, diz ainda que apesar de “já haver melhorias nas regras de controlo”, nomeadamente no registo da actividade comercial dos sucateiros, isso nem sempre acontece. “Ainda há sucateiras de menor dimensão que continuam a receber materiais de forma avulsa que são muitas vezes entregues depois de terem sido furtados da via pública”, diz Francisco Oliveira.
O chefe da Divisão de Comunicação e Relações Públicas da GNR, tenente-coronel Hélder Barros, refere que esta força policial está entre 1 de Junho e 31 de Dezembro a intensificar o patrulhamento e a sensibilizar para a adopção de medidas de prevenção e protecção contra este tipo de crime, sobretudo nas áreas rurais, onde é mais frequente. Esta é uma medida que decorre do projecto Campo Seguro, que visa sobretudo combater o roubo de cobre e outros metais considerados menos preciosos.
Numa tentativa de diminuir os furtos e consequente prejuízo, já várias empresas, entre elas a Águas do Ribatejo, EDP distribuição, Redes Energéticas Nacionais (REN) e Infraestruturas de Portugal ligaram-se a este projecto através da Associação para a promoção da segurança de activos técnicos (PSAT) fundada em 2012. “Tem permitido que haja uma diminuição no número de furtos, uma vez que são estabelecidos contactos imediatos com as autoridades sempre que é identificada uma situação de furto de metais”, observa Francisco Oliveira.

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