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Pedidos de apoio social dispararam na Póvoa de Santa Iria
Lisley Filipe e Sara Costa são duas das voluntárias da ADRA da Póvoa de Santa Iria que estão a dar resposta às dezenas de pedidos de ajuda

Pedidos de apoio social dispararam na Póvoa de Santa Iria

Associação que apoiava 14 famílias recebeu desde Maio mais de uma centena de novos pedidos de ajuda, sobretudo alimentar. Loja solidária da ADRA tem tido procura todos os dias.


De um momento para o outro, em Maio, a caixa de mensagens gerida por Sara Costa começou a encher-se de pedidos urgentes de ajuda, sobretudo alimentar, apanhando de surpresa os voluntários do pólo da Póvoa de Santa Iria da ADRA - Associação Adventista para o Desenvolvimento, Recursos e Assistência.
Das 15 famílias que apoiavam no final de 2019 passaram para mais de uma centena em menos de um ano. E os números não param de aumentar. Quase todos pedidos envergonhados de gente que já teve uma vida normal e que agora pede ajuda para conseguir comer. A procura tem sido tal que já foram accionados mecanismos de parceria entre a ADRA, a junta de freguesia e a Câmara de Vila Franca de Xira para não deixar ninguém para trás. Os casos sinalizados pela ADRA estão também a ser encaminhados para os serviços sociais do município e da junta.
Quem pede ajuda são sobretudo famílias de classe média apanhadas desprevenidas pelos impactos económicos causados pela pandemia. Casais que de um dia para o outro se viram sem trabalho, sem poupanças e sem mais ninguém a quem recorrer. Os 12 voluntários da ADRA têm dado nas vistas nos últimos meses em campanhas de recolha de alimentos, roupas e pequenos electrodomésticos por toda a cidade para ajudar quem precisa. E não têm dúvidas: a Póvoa é uma terra de gente solidária e é isso que ainda vai valendo, senão o problema seria maior.
“A grande força de uma comunidade é a capacidade de nos ajudarmos uns aos outros. As pessoas da Póvoa são muito solidárias e sempre que pedimos alguma coisa ao fim de pouco tempo temos resposta. Também há muita gente a voluntariar-se para ajudar, o que é muito positivo”, conta Sara Costa.
Natural da Póvoa, Sara está envolvida na ADRA desde que o pólo na cidade abriu, em 2011, mas nunca como agora viu uma situação tão má. “Do nada estão a aparecer casais desempregados em que os filhos estão a deixar os estudos e a trabalhar para ajudar. São vidas interrompidas à espera de serem retomadas”, lamenta.
Já Lisley Filipe, responsável pela ADRA da Póvoa de Santa Iria, diz que aquela associação está mentalmente preparada para que os pedidos de ajuda continuem a aumentar. “Estamos a tentar angariar doações para termos um pé de meia para darmos uma resposta mais forte no final do ano se necessário”, explica a O MIRANTE.

Fraldas feitas de sacos de plástico
Para ajudar a dar uma resposta melhor, a ADRA abriu uma loja solidária no centro comercial Nacional 10, na Avenida Ernest Solvay, em Fevereiro, que tem tido uma procura diária. “Abrimos a loja no início da pandemia, quando muita gente precisou de apoio. Há quem não tenha nada para comer ou para vestir. Quem tiver roupas e brinquedos em bom estado pode doar à loja”, explica Lisley.
O sentimento geral na comunidade é de apreensão quanto ao futuro. “Um novo confinamento será o fim para muitos negócios e muita gente. Há pessoas que ainda não recuperaram da situação”, lamentam as voluntárias.
Uma das famílias apoiadas estava a viver numa situação tão má que já nem fraldas tinha para os dois filhos. “Usavam sacos de plástico”, lamentam. O trabalho feito na Póvoa estendeu-se aos concelhos vizinhos e a associação já começou a receber também pedidos de ajuda de Loures e Lisboa. “Nesses casos encaminhámos para outras associações dessas cidades”, explica Lisley.

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