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O Carnaval chegou mais cedo e com foguetório autárquico 

Embuçado Manuel Serra d’Aire

Tens toda a razão no que escreves no teu último email. Se os anúncios, promessas e congratulações dos políticos se traduzissem em obra física, esta região (e também o país) já estaria dotada de infraestruturas ao nível da Escandinávia. Infelizmente, somos mais aptos para a conversa da treta e para a venda de banha da cobra do que para a concretização. Talvez porque nos falte aquilo com que se compram os melões... Mas, como dizia a minha avózinha, quem não tem dinheiro não tem vícios. E aldrabar é feio, mesmo quando se trata de política...
E é assim que me sinto, aldrabado, quando vejo novamente reaparecerem, como dons sebastiões a regressarem de Alcácer Quibir numa manhã de nevoeiro, projectos há muito prometidos e falados para estas bandas, como o IC9 e a nova ponte sobre o Tejo entre Abrantes e Constância. Porque já estamos fartos de ver este filme e adivinhamos facilmente o seu final.
Por isso sinto pena dos presidentes das câmaras de Abrantes e de Constância pela figura que fizeram ao congratularem-se publicamente com a inclusão desses projectos no Plano Nacional de Investimentos (PNI), apresentado pelo Governo. Percebo a euforia dos autarcas socialistas desses dois concelhos, pois são novatos no cargo e ainda estão imbuídos de alguma ingenuidade própria de quem acredita no Pai Natal. Mas eu recomendava-lhes que não mandassem foguetes antes da festa. Aliás, desconfio que daqui a vinte anos outros autarcas dos mesmos concelhos estarão a regozijar-se por mais um anúncio desses projectos. Cá estaremos para ver, espero eu...
Pela mesma ordem de razões, não vejo motivo para tanto abespinhamento em Santarém pela não inclusão no PNI 2030 da famigerada variante ferroviária à cidade, que também vem das calendas e até já teve expropriações previstas. Estar ou não estar no plano uma coisa que tão cedo não irá ser feita tem precisamente o mesmo efeito prático. Estar no plano vale tanto como o lançamento da primeira pedra da grandiosa plataforma logística da Castanheira do Ribatejo ou os projectos e estudos para o aeroporto na Ota...
No mesmo dia que, em Portugal, passava a ser obrigatório o uso de máscara na rua, um especialista do Centro Europeu para Prevenção e Controlo das Doenças dizia na rádio pública que o uso de máscara no exterior só deve acontecer se não for possível manter o distanciamento social. Caso contrário, a máscara não é recomendada.
Isto foi o que o especialista disse, mas eu prefiro não arriscar e passei a usar máscara em tudo o que é sítio, até quando vou sozinho no automóvel, seguindo uma prática já usada há muitos meses por muitos compatriotas e que sempre me causou estranheza. É verdade que o uso de máscara traz incómodos, mas prefiro isso a ser apertado pela polícia ou a ser linchado nas redes sociais pelos bufos do Covid, uma espécie de sucedâneos dos antigos informadores da PIDE. Essa casta está mais activa do que nunca e é mais perigosa do que o coronavírus. Por isso cuida-te Manel...
Saudações carnavalescas do
Serafim das Neves

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