
Rui Rei: o político dos discursos inflamados que não chegam para ganhar eleições
Rui Rei tem sido o principal rosto do PSD no concelho de Vila Franca de Xira. Tentou chegar à liderança do município mas perdeu sempre. Mas não é por causa disso que não continua a controlar todas as actividades do partido no concelho. Eis um breve retrato de um opositor à força que, em todas as suas intervenções no concelho, tem a atitude de quem um dia vai mandar nisto tudo.
Rui Ribeiro Rei é chamado por alguns como o padrinho dos social-democratas em Vila Franca de Xira. Foi candidato derrotado à presidência da câmara, foi vereador e partilhou o poder com os socialistas. Depois afastou-se para fazer carreira em Cascais. Mas nunca se afastou do PSD de Vila Franca de Xira: continua a ser o líder da comissão política concelhia e ninguém no partido abre a boca sem lhe perguntar primeiro o que pode ou não dizer. Foi candidato nas últimas eleições a presidente da assembleia municipal mas também aí não venceu, acabando por ocupar o lugar de líder da bancada.
Rui Rei trabalhou durante cinco anos na área de vendas e projectos da então TMN Lucent Technologies, tendo em 2002 entrado como vereador na Câmara de Vila Franca de Xira. A batalha política para derrotar Maria da Luz Rosinha durou uma década e tornou-se um fracasso. É um político sem papas na língua que acredita que a melhor defesa é o ataque. Protagonizou centenas de momentos tensos em reuniões de câmara, muitos deles noticiados e filmados por O MIRANTE. Um deles obrigou Alberto Mesquita, já na qualidade de presidente, a levantar-se da cadeira e a mandar que se calasse.
Entre 2009 e 2011 aceitou a mão do PS, e a boleia do factor surpresa da candidatura de João de Carvalho, e foi vereador a meio tempo com os pelouros das Obras, Inovação e Modernização Administrativa. Mas o estado de graça de Rui Rei acabou quando entrou em choque com o então vice-presidente, Alberto Mesquita, na sequência de uma entrevista a O MIRANTE onde deu a entender que fazia mais em meio tempo que Mesquita a tempo inteiro. Com a relação estragada, quando Alberto Mesquita assumiu a presidência Rui Rei ficou sem condições de continuar como vereador a meio tempo, e teve que ceder o lugar à camarada Helena de Jesus para que, pelo menos, o PSD mantivesse um vereador com pelouro a tempo inteiro.
Mas este episódio não fez com que Rui Rei desistisse dos seus objectivos. Manteve-se profissionalmente como vendedor e líder de projectos na Alcatel-Lucent e em Abril de 2014 o companheiro de partido, Carlos Carreiras, presidente da Câmara de Cascais, deu-lhe guarida como chefe de gabinete, onde esteve até Maio de 2015, para logo a seguir assumir o cargo de presidente do conselho de Administração da empresa municipal Cascais Próxima, que tratava de obras e empreitadas. Esteve no cargo três anos e seis meses, entre Junho de 2015 e Novembro de 2018. Pelo meio ainda teve de lidar com a trágica morte da esposa, Odete Silva, em 2016. Nesta altura Rui Rei é quadro do CEIIA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento como director de desenvolvimento de negócios.
O político povoense, que foi presidente da associação de estudantes da Escola Náutica Infante D. Henrique, e membro da Associação Académica de Lisboa, mantém nos vereadores comunistas o seu maior alvo e em Mário Calado, em particular, o seu inimigo de estimação. O confronto entre ambos teve um episódio recente no último mês com uma troca acesa de galhardetes em que Rui Rei voltou a levar a melhor. Contra os mais fracos Rui Rei parece que ganha sempre a batalha política. Falta provar que ainda vai a tempo de ganhar contra os mais fortes. Rui Rei vive politicamente do argumento de que é o único a apresentar ideias diferentes e inovadoras para o desenvolvimento do concelho de Vila Franca de Xira mas a verdade é que os eleitores não o ouvem, e não correspondem na hora da votação, apesar dos discursos inflamados e da forma muitas vezes explosiva como defende as suas ideias. Aparentemente os eleitores de Vila Franca de Xira gostam dele como vereador da oposição mas, para mandar no concelho, depois de Daniel Branco só Maria da Luz Rosinha e Alberto Mesquita.
