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Apenas metade das mulheres aproveita  o rastreio gratuito do cancro da mama
Carmo Couto

Apenas metade das mulheres aproveita  o rastreio gratuito do cancro da mama

Acções de rastreio são gratuitas e próximas, mas mesmo assim pouco mais de metade das mulheres convidadas, com idade entre os 50 e os 69 anos e inscritas nas unidades de saúde, responderam à chamada. Uma situação que se verifica em Santarém e por todo o país.

Edição de 02.12.2020 | Sociedade



Nos dados referentes ao último rastreio do cancro da mama, que cobre o concelho de Santarém, quer na sede do Grupo de Apoio, quer em unidades móveis, foram convidadas 8.972 mulheres e foram rastreadas 4.865. Uma taxa de adesão que rondou os 54%. Carmo Couto, coordenadora do Grupo de Apoio de Santarém da Liga Portuguesa Contra o Cancro, reconhece que motivar as mulheres a participar nas acções de rastreio é, por si só, “outra luta” e enfatiza a importância da divulgação.
Afinal, apesar de não haver uma causa definida para a doença, sabe-se que a prevenção é o melhor caminho, e consegue-se mantendo um estilo de vida saudável e fazendo o controlo periódico através de mamografia. Quando detectado de forma precoce, este tipo de cancro tem uma taxa de cura de 90%.
Para a responsável, que partilha a coordenação do Grupo de Apoio com Luís Vasconcellos e Souza, na região não se sentem, por enquanto, os constrangimentos da pandemia, no que toca aos rastreios, uma vez que se realizam de dois em dois anos e a última acção decorreu com normalidade entre Outubro de 2019 e Fevereiro de 2020. A próxima acção deverá arrancar em Outubro de 2021 se estiverem reunidas as condições.
Em Portugal, a mortalidade por cancro da mama diminuiu, mas a incidência da doença tem aumentado. A prevenção é por isso cada vez mais importante, sobretudo nesta altura de pandemia em que, de acordo com o presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro, Vítor Rodrigues, ficaram por diagnosticar perto de mil cancros da mama, do colo do útero e colorrectal, por “falhas na operacionalização” dos cuidados de saúde.
A nível nacional, todos os anos são detectados seis mil casos e morrem mais de 1.500 mulheres vítimas da doença. Entre os 4.865 rastreios efectuados em Santarém, na última acção, 67 deram resultado positivo e foram encaminhados para consultas de aferição. Destas, 23 utentes seguiram para tratamento hospitalar.
Dados da Direcção-Geral de Saúde indicam que uma em cada oito mulheres portuguesas tem cancro da mama, o tipo de cancro mais comum entre as mulheres e a segunda causa de morte por cancro no sexo feminino.

Deixar passar um cancro inicial custa mais ao erário público
Embora a incidência de cancro da mama abaixo dos 30 anos seja de apenas 0,3%, têm aumentado os casos detectados em mulheres a partir dos 35 anos. Ainda assim, um despacho de Setembro de 2017, do Ministério da Saúde, estabeleceu que o Programa de Rastreio de Cancro da Mama passasse a abranger mulheres dos 50 aos 69 anos, em vez dos 45 aos 69 como se praticava até então. Uma medida tomada a nível europeu e que é justificada com a “uniformização de critérios” nos programas de rastreio a doenças oncológicas.
Para o presidente do Núcleo do Norte da Liga Portuguesa Contra o Cancro foi criado um vazio na faixa etária entre os 40 e os 50, e a partir dos 70 anos. Em declarações à RTP, no ano passado, Vítor Veloso recordou que a idade é um risco, agravado pelo aumento da esperança média de vida. E lembrou que “deixar passar em branco” um cancro inicial e identificá-lo numa fase avançada, vai custar muito mais ao erário público do que uma simples mamografia.

Programa com mais de três décadas

O Programa de Rastreio de Cancro da Mama teve início em 1986 na região Centro do país e tem permitido o diagnóstico de centenas de cancros em fase inicial e, consequentemente, curáveis ou controláveis. O programa é desenvolvido em colaboração com os Cuidados de Saúde Primários e cobre actualmente toda a região Centro, e vários distritos nacionais entre os quais Santarém, assim como o concelho de Azambuja (distrito de Lisboa). São enviadas cartas-convite às mulheres em idade rastreável (50-69 anos) inscritas nas unidades de saúde para realizar gratuitamente uma mamografia, a cada dois anos.

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