
Estudo sobre os maus cheiros em Alhandra têm várias origens não identificadas
Programa de Monitorização de Odores promovido pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa mostra que a cimenteira não pode ser directamente ligada a todos os maus cheiros que se sentem na zona norte do concelho de VFX.
Os maus cheiros no ar que incomodam a população das freguesias a norte do concelho de Vila Franca de Xira, com especial incidência nas localidades de Sobralinho, Alhandra e Vila Franca de Xira, não têm origem na fábrica de cimentos Cimpor. As conclusões são de um estudo da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, conduzido entre Dezembro de 2017 e Novembro de 2018. O coordenador científico do estudo foi Francisco Ferreira, presidente da associação ambientalista Zero.
Os principais maus cheiros detectados foram a cereais, rações e farinhas. “Os resultados obtidos pela metodologia utilizada, na sua forma qualitativa e quantitativa, não permitiram estabelecer um padrão de reconhecimento que identificasse o tipo de odor proveniente da Cimpor enquanto fonte emissora principal”, avança o estudo a que O MIRANTE teve acesso. O documento mostra, no entanto, que alguns odores que foram detectados ocasionalmente, como o cheiro a borracha queimada, podem ter tido origem na cimenteira.
Durante as medições também não foi possível estabelecer uma relação directa entre a existência de colunas de fumo oriundas da Cimpor e outros tipos de odores sentidos no ar. O estudo pretendeu avaliar o grau de incomodidade de odores na área envolvente do Centro de Produção de Alhandra (CPA) da Cimpor. Foi feito em diversos horários do dia e da noite, com recurso a um painel de treze observadores sem ligação entre si, sem ligação a operadores industriais da zona envolvente da fábrica e com a característica comum de percepcionarem, de forma regular, odores na zona. Foram também usados no estudo olfatómetros de campo.
O estudo, encomendado pela Cimpor, revela que em 212 dias de observação foram anotados 41 registos de maus cheiros em pelo menos 28 dias diferentes. O principal mau cheiro foi de cereais, farinhas e rações. Outros cheiros sentidos, com menor intensidade e regularidade, foram o cheiro a esgoto, a borracha queimada, produtos químicos e um cheiro acre e semelhante a azeitonas. Na sua maioria os odores medidos situaram-se na intensidade moderada e ligeira.
Bloco pede avaliação independente
O vereador do Bloco de Esquerda, Carlos Patrão, reagiu na última reunião pública do executivo às conclusões do estudo e apelou para que estes sejam independentes e que o município não relaxe as suas preocupações e responsabilidades perante a empresa. “Este estudo, encomendando pela Cimpor, chuta as suas responsabilidades nos problemas que têm ocorrido. Se queremos ser sérios nesta questão temos de promover um estudo independente sobre o que se passa”, apelou. Patrão diz que já por diversas vezes sentiu os maus cheiros e odores a borracha queimada. “Isto não é uma ilusão ou invenção da oposição. São coisas que acontecem e fico estupefacto de ver o vice-presidente da câmara a apadrinhar aquele estudo”, critica.
António Oliveira, vice-presidente da câmara, reagiu negando que se sinta confortável com o teor do documento e lembra que o município também encomendou o seu próprio estudo sobre a qualidade do ar à Universidade Nova de Lisboa, que deve estar concluído no final do ano. “A Cimpor fez o seu trabalho de casa e apresentou os seus dados. Nós estamos a preparar os nossos e por isso estamos numa fase comparativa. Vamos aguardar o trabalho que encomendámos, feito por uma instituição idónea e acima de todas as suspeitas e depois veremos”, afirmou.
