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Estudo sobre os maus cheiros em Alhandra  têm várias origens não identificadas
Dados mostram que fábrica de cimentos de Alhandra não tem qualquer responsabilidade nos maus cheiros que se sentem na zona

Estudo sobre os maus cheiros em Alhandra  têm várias origens não identificadas

Programa de Monitorização de Odores promovido pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa mostra que a cimenteira não pode ser directamente ligada a todos os maus cheiros que se sentem na zona norte do concelho de VFX.

Edição de 02.12.2020 | Sociedade


Os maus cheiros no ar que incomodam a população das freguesias a norte do concelho de Vila Franca de Xira, com especial incidência nas localidades de Sobralinho, Alhandra e Vila Franca de Xira, não têm origem na fábrica de cimentos Cimpor. As conclusões são de um estudo da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, conduzido entre Dezembro de 2017 e Novembro de 2018. O coordenador científico do estudo foi Francisco Ferreira, presidente da associação ambientalista Zero.
Os principais maus cheiros detectados foram a cereais, rações e farinhas. “Os resultados obtidos pela metodologia utilizada, na sua forma qualitativa e quantitativa, não permitiram estabelecer um padrão de reconhecimento que identificasse o tipo de odor proveniente da Cimpor enquanto fonte emissora principal”, avança o estudo a que O MIRANTE teve acesso. O documento mostra, no entanto, que alguns odores que foram detectados ocasionalmente, como o cheiro a borracha queimada, podem ter tido origem na cimenteira.
Durante as medições também não foi possível estabelecer uma relação directa entre a existência de colunas de fumo oriundas da Cimpor e outros tipos de odores sentidos no ar. O estudo pretendeu avaliar o grau de incomodidade de odores na área envolvente do Centro de Produção de Alhandra (CPA) da Cimpor. Foi feito em diversos horários do dia e da noite, com recurso a um painel de treze observadores sem ligação entre si, sem ligação a operadores industriais da zona envolvente da fábrica e com a característica comum de percepcionarem, de forma regular, odores na zona. Foram também usados no estudo olfatómetros de campo.
O estudo, encomendado pela Cimpor, revela que em 212 dias de observação foram anotados 41 registos de maus cheiros em pelo menos 28 dias diferentes. O principal mau cheiro foi de cereais, farinhas e rações. Outros cheiros sentidos, com menor intensidade e regularidade, foram o cheiro a esgoto, a borracha queimada, produtos químicos e um cheiro acre e semelhante a azeitonas. Na sua maioria os odores medidos situaram-se na intensidade moderada e ligeira.

Bloco pede avaliação independente
O vereador do Bloco de Esquerda, Carlos Patrão, reagiu na última reunião pública do executivo às conclusões do estudo e apelou para que estes sejam independentes e que o município não relaxe as suas preocupações e responsabilidades perante a empresa. “Este estudo, encomendando pela Cimpor, chuta as suas responsabilidades nos problemas que têm ocorrido. Se queremos ser sérios nesta questão temos de promover um estudo independente sobre o que se passa”, apelou. Patrão diz que já por diversas vezes sentiu os maus cheiros e odores a borracha queimada. “Isto não é uma ilusão ou invenção da oposição. São coisas que acontecem e fico estupefacto de ver o vice-presidente da câmara a apadrinhar aquele estudo”, critica.
António Oliveira, vice-presidente da câmara, reagiu negando que se sinta confortável com o teor do documento e lembra que o município também encomendou o seu próprio estudo sobre a qualidade do ar à Universidade Nova de Lisboa, que deve estar concluído no final do ano. “A Cimpor fez o seu trabalho de casa e apresentou os seus dados. Nós estamos a preparar os nossos e por isso estamos numa fase comparativa. Vamos aguardar o trabalho que encomendámos, feito por uma instituição idónea e acima de todas as suspeitas e depois veremos”, afirmou.

Estudo sobre os maus cheiros em Alhandra  têm várias origens não identificadas

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