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Futsal feminino é o cartão de visita do Povoense
Atletas de futsal do Povoense estão a caminho do sexto ano consecutivo na 1ª divisão nacional

Futsal feminino é o cartão de visita do Povoense

Há seis anos que a equipa do União Atlético Povoense disputa a 1ª divisão nacional de futsal feminino frente a equipas como Benfica e Sporting. Clube tem investido forte no desporto feminino nos últimos anos e já são mais de meia centena as atletas a praticar a modalidade.

A equipa de futsal feminino do União Atlético Povoense (UAP) começou a disputar este Outono, pelo sexto ano consecutivo, a primeira divisão do campeonato nacional da modalidade. Uma tarefa dura que coloca as jovens mulheres da Póvoa de Santa Iria frente a gigantes da modalidade como Benfica, Sporting ou Quinta dos Lombos.
Tem sido um percurso consolidado onde o objectivo está traçado: conseguir entrar na fase de apuramento do campeão nacional. O clube da Póvoa tem apostado forte no futsal feminino e tem hoje 60 atletas a jogar, nos escalões de juvenis, juniores e séniores.
O que une as atletas, treinadores e dirigentes é a paixão pelo futsal. O grupo quer desmistificar a ideia de que mulheres a jogar só podem ser Maria rapaz. Muitas têm namorados, maquilham-se e usam salto alto. “Esse é um paradigma que está a mudar. Não sou nem me sinto mais ou menos mulher por me maquilhar ou usar salto alto. Sou uma pessoa, tenho os meus valores e são esses valores que cultivo no futsal, no trabalho e na minha família”, conta a O MIRANTE Vera Serrador, 30 anos, capitã da equipa.
Vera é natural de Vila Franca de Xira e trabalha na área de marketing. Começou a dar toques na bola nos antigos encontros concelhios Xira 2000 e jogava em equipas mistas de rapazes e raparigas. “Temos muita qualidade na região e seria um desperdício não aproveitarmos isso. O futsal feminino é quem mais projecta o Povoense e a cidade porque somos nós que estamos na primeira divisão”, afirma.

Um homem entre mulheres
A comandar a equipa está um homem, Francisco Machado. Tem 39 anos, é de Santarém e já treinou homens e mulheres. Diz que falta só alguns degraus para as miúdas da Póvoa fazerem história e se apurarem para a fase de campeão. Nota que as mulheres são mais exigentes nos treinos que os homens e um dos seus lamentos é ver que quando alguma mostra mais talento os grandes clubes as levem.
Há também jogadoras com muita qualidade e técnica acima da média na região que, por não terem as mesmas oportunidades, acabam por não chegar longe. “As mulheres são mais perfeccionistas e conseguem ler melhor o jogo que os homens”, diz.
“Falo para elas como falaria para uma equipa de rapazes. Elas exigem muito dos treinadores e não iriam admitir que as tratasse de forma diferente de um homem”, conta. O técnico gosta de imprimir valores como a atitude, agressividade, empenho, perfeccionismo e rigor.

“Há raparigas que se maquilham para jogar”
A Póvoa de Santa Iria já lhes reconhece o valor e quando os jogos eram à porta aberta as bancadas estavam sempre bem compostas. “Agora com a pandemia temos jogos cancelados”, lamenta. Do plantel do Povoense têm saído também, nos últimos anos, várias atletas para integrar a selecção nacional da modalidade.
Esta época chegaram reforços ao plantel. Daniela Palmeira, 25 anos, é uma delas, vinda de Corroios. Não conhece a Póvoa mas o nome da cidade já lhe soava nos ouvidos pela prestação que a equipa ia fazendo no nacional. Elogia o papel cerebral do futsal e gosta de ter bola no pé. “Há raparigas que se maquilham para jogar e isso não tem problema nenhum. É uma ideia retrógrada pensar o contrário. São femininas. Se uma rapariga for virada para a bola não quer dizer que seja mais ou menos feminina por causa disso”, remata.

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