
“Informação sobre desperdícios que podem ser usados como matéria-prima”
António Torres - Secretário Executivo da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo.
De um modo geral, a economia é privilegiada em relação ao ambiente, seja por governantes ou por empresários. Há alguma possibilidade de alterar a situação?
Temos de impulsionar a economia circular. Na minha opinião deveria existir uma plataforma (regional ou nacional) onde as empresas informassem sobre os seus desperdícios, pois para outras empresas esses desperdícios podem constituir-se como matéria-prima. As preocupações ambientais devem ser levadas muito a sério e a economia e o ambiente devem andar de mãos dadas permitindo o surgimento de novas oportunidades de negócio.
Os países da União Europeia querem reduzir o uso de pesticidas para metade nos próximos 10 anos e ter 25% das terras agrícolas sob produção biológica. O que diria aos decisores políticos se lhe perguntassem a sua opinião?
Paulatinamente temos de dar esses passos e porventura apoiar aqueles que puderem ter mais dificuldades na concretização das transformações que são obrigatórias fazer.
Já consegue associar a cor verde à defesa do ambiente ou quando pensa em verde pensa noutras coisas?
Desde muito cedo que associo o verde ao ambiente, ao contrário de outros que associam o verde à esperança de algo que não acontece vai para 18 anos. Associo o verde ao Ambiente e à Lezíria do Tejo que é verde e azul muito pelas suas paisagens e pelo grande rio Tejo. De referir que o azul também não é das minhas cores favoritas.
Quais são os principais problemas ambientais na sua área de residência e de trabalho? Como acha que podiam ser resolvidos?
Ao longo dos últimos 15 anos os municípios e as suas empresas realizaram um grande investimento em infra-estruturas de saneamento básico, o que permitiu aumentar significativamente as taxas de cobertura e melhorar a qualidade das linhas de água. Contudo, têm de ser desenvolvidos esforços por todos, cidadãos e empresas, para eliminar as descargas de efluentes nas linhas de água e as deposições ilegais de resíduos no meio ambiente. Cumulativamente devem-se desenvolver acções de sensibilização junto da população para a separação dos lixos e para a redução dos consumos de abastecimento de água potável.
