
“Jovens têm demonstrado grande preocupação com o ambiente e têm ajudado a alertar os mais velhos”
Manuel Jorge Valamatos - Presidente Câmara Municipal de Abrantes
Em que pensa normalmente quando se fala de verde?
Penso logo em todo o verde que temos no concelho de Abrantes e na sua protecção, sustentabilidade e promoção. Entre muitos tesouros escondidos que temos está a Oliveira do Mouchão, a mais antiga da Península Ibérica com 3350 anos. Na maioria das vezes quando uso o termo “verde” estou a associá-lo a temas do meio ambiente e de sustentabilidade, da economia circular que deve ser o mote da gestão autárquica e da gestão das nossas empresas.
O que tem sido feito no município para a defesa do ambiente?
Temos vindo a trabalhar e a desenvolver diversas políticas de sustentabilidade seja com a criação e manutenção de diversos espaços verdes; temos também apostado em tornar Abrantes um município cada vez mais sustentável, por exemplo, com intervenções para a substituição da iluminação público por lâmpadas LED, assim como têm sido realizadas várias melhorias em pavilhões e outros espaços com vista a uma maior sustentabilidade e eficiência enérgica. E isto são apenas alguns exemplos.
Qual o papel dos Serviços Municipalizados de Abrantes?
Desde o início das suas funções têm contribuído muito para a defesa do ambiente através de um plano de investimentos que passam por novas redes e equipamentos que permitem o aumento da cobertura e um tratamento dos efluentes protegendo de uma forma mais eficaz o ambiente; a exploração, gestão, manutenção e conservação do Sistema de Drenagem de Águas Residuais Urbanas, Estações de Tratamento de Águas Residuais e Estações Elevatórias do município de Abrantes; a execução de infra-estruturas em rede de saneamento, assim como a existência de um sistema de controlo eficiente que garante quer a qualidade da água, quer a permanente prevenção na detecção de eventuais desvios e uma resposta rápida na averiguação de causas e na implementação de medidas correctivas.
De um modo geral, a economia tem sido privilegiada em relação ao ambiente. Há alguma possibilidade de alterar esta situação?
Nos últimos anos tem havido uma maior atenção a essas questões. Actualmente, os projectos económicos cuja implementação possam ter consequências sobre o ambiente são sujeitos a uma avaliação preventiva. Muitas empresas têm vindo a desenvolver e a implementar políticas e a promover práticas sustentáveis na sua actividade e vêem o seu bom desempenho ambiental reconhecido tanto pela sociedade como pelo Governo através dos incentivos. O conceito de Economia Circular tem também vindo a ganhar cada vez mais espaço com diversos projectos a aparecerem nesse âmbito, não só nas empresas, mas também com o surgimento de novos empreendedores e até no meio académico.
Os países da União Europeia querem reduzir o uso de pesticidas para metade nos próximos 10 anos e ter 25% das terras agrícolas sob produção biológica. Qual a sua opinião?
É uma meta ambiciosa mas realista e, sem dúvida, que uma produção biológica, mais inteligente e sustentável é fundamental para recuperarmos a biodiversidade e para garantirmos não só uma maior segurança alimentar, como também para termos capacidade de satisfazer as necessidades de todos. Neste momento, já não é possível dissociar o crescimento económico da utilização cada vez mais cuidada dos recursos e por isso é importante dotarmos os países e os produtores agrícolas de ferramentas que permita investir nas terras e nos métodos de produção com vista a esse objectivo.
O que não lhe perguntámos que gostaria de responder?
Gostava de elogiar e de agradecer sobretudo às gerações mais jovens que não só têm demonstrado uma grande preocupação com a temática do ambiente, da preservação do nosso Planeta e da sustentabilidade, como têm ajudado a alertar e a educar as gerações anteriores nesse sentido transmitindo-lhes essas mensagens e incentivando-as a adoptar medidas em benefício do nosso planeta e da sua sustentabilidade. Mas também gostava de deixar um apelo a todos. Poupem água, este bem tão precioso que temos e façam uma correcta separação do lixo. Estas duas acções, que não têm custos associados, podem diminuir as facturas a pagar e protegem o planeta.
