A falta de civismo e a contestação ao aumento da taxa de gestão de resíduos
A taxa de gestão de resíduos vai aumentar cem por cento, passando de 11 para 22 euros por tonelada. Dito assim, sem qualquer enquadramento é uma coisa mas se dissermos que, por exemplo, em Espanha a taxa é de 40 euros e que o facto de termos uma taxa tão baixa faz com que sejamos um país para onde mais de 47 países exportam regularmente lixo porque lhes fica muito mais barato, mesmo com transporte e taxas incluídas, do que depositá-lo em cada um deles, já o assunto é visto de outra maneira.
Em termos ambientais é uma excelente medida. Então porque é que autarquias e a associação de defesa dos consumidores, Deco, por exemplo, contestam? No caso das autarquias é por questões políticas porque vão ter que penalizar os munícipes e isso custa votos. No caso da Deco porque as autarquias não conseguem implementar um sistema de taxas que penalize mais os munícipes que mais produzem resíduos e por isso penalizam todos aumentando o preço a pagar.
Para qualquer um de nós, pagar entre cinquenta cêntimos e um euro e meio, por mil litros de água potável entregue em casa é um roubo. Pagar cinco, seis ou sete euros mês por uma recolha de lixo diária e agora, em muitos locais, com recolha porta-a-porta de cartão, vidro e embalagens, é um assalto à mão armada. Pagar isso e pagar outro tanto pelos esgotos e tratamento de efluentes é um escândalo porque todos pensamos que tudo deve ser grátis alegando que já pagamos impostos, mas esquecendo que a maioria de nós não paga impostos nem factura da água devido a isenções várias.
Ou seja, anulem o aumento decidido, façam uma festa porque poupam uns euros por mês, mas depois não se queixem do lixo estrangeiro que vai chegar cada vez em maior quantidade. E não pensem fechar as fronteiras. Afinal o nosso lixo (pensem, por exemplo, nos telemóveis que trocamos todos os anos) também é exportado para outros países.
Gervásio Manuel Duque de Sousa