
“Com as empresas asfixiadas dificilmente teremos uma retoma rápida”
Ramiro Matos, presidente do conselho de administração da Águas de Santarém
Só ajudas robustas e firmes às empresas e famílias podem construir as bases para um relançamento rápido e coerente da economia, diz Ramiro Matos, considerando que o Governo tem reagido de forma demorada e ineficaz às necessidades das empresas, instituições e cidadãos.
O presidente do conselho de administração da empresa municipal Águas de Santarém, Ramiro Matos, refere que o maior desafio com que a empresa se confronta nesta época de crise “é alcançar maior eficiência neste período tentando minorar os impactos negativos e preparar-se para o momento pós-crise”. E salienta que “a nossa economia precisa de optimismo”.
No caso da Água de Santarém, o relançamento passa pelo melhor aproveitamento possível de fundos comunitários no novo ciclo, “com a realização dos investimentos que se impõem nas nossas redes de abastecimento de águas e tratamento de águas residuais”.
Ramiro Matos reconhece que “estamos a viver um momento de crise económica e social muito relevante” cujos impactos só se vão conhecer em pleno lá para o final deste ano. “A Águas de Santarém, não obstante operar numa actividade essencial e em monopólio, está a sentir muito os efeitos da conjuntura, fruto dos maiores apoios que tem dado às famílias e empresas, com forte impacto nos seus proveitos e investimentos”, afirma.
Nesse capítulo, o administrador da Águas de Santarém diz que foi imperioso que a empresa, em conjunto com a Câmara de Santarém, sua única accionista, facultasse apoios a famílias, empresas e IPSS, com a redução do tarifário para 2021, isenção de pagamento de serviços e aprovação de tarifário especial com fortes reduções para quem está a sentir mais a crise no seu rendimento.
“Estes apoios obrigaram a reequacionar investimentos, reorientar a relação com o cliente para contactos não presenciais e proporcionar aos trabalhadores todas as condições para os novos desafios de metodologias de trabalho”, sublinha.
Sobre os apoios estatais a empresas e instituições, Ramiro Matos considera que o Governo “está a reagir de forma demorada e ineficaz”. Ou seja, “está a lançar medidas que não combatem o problema na sua origem, mas que são meros paliativos”. Sublinha que o rendimento das famílias está a degradar-se, as empresas de muitos sectores estão com graves dificuldades e confessa ter “muito receio do que vai acontecer quando terminarem os apoios pontuais e insuficientes, as moratórias e todas as medidas em curso”.
Na óptica de Ramiro Matos, só ajudas robustas e firmes às empresas e famílias seriam aptas a construir as bases para um relançamento rápido e coerente da economia. “Assim, com as empresas asfixiadas, dificilmente vamos ter uma retoma rápida e abrangente. Há sectores da economia, que muito contribuem para o nosso PIB, que estão arrasados e sem saber o que vai acontecer a seguir”, reforça.
Quanto à resposta da banca nacional ao tecido empresarial, diz que tem sido dada dentro das suas limitações e muito de acordo com as medidas governamentais. “Estamos expectantes como vai reagir quando terminarem os apoios do Estado e se vão cumprir com as necessidades da economia sobretudo das micro, pequenas e médias empresas nomeadamente dos sectores mais afectados como o turismo e a restauração”, refere.
Sobre a política de O MIRANTE, de distinguir anualmente empresas, instituições e personalidades diversas, considera muito importante dar-se a conhecer aquilo que se faz de muito bom e diferenciador no distrito. “Só com a divulgação e premiação do mérito se consegue dar mais força a quem faz bem, e, ao mesmo tempo, dar o exemplo e alento a quem está empenhado em fazer melhor e atingir esse reconhecimento. Parabéns pelo vosso trabalho neste campo”, conclui.
