A estratégia de abate de árvores em Ourém
Sou residente em Fátima, leitora assídua do vosso jornal e venho desmentir o que foi afirmado pelo sr. presidente da Câmara de Ourém a 26/03/2021 de que “O município de Ourém adoptou uma estratégia para minimizar os efeitos do abate de árvores; por cada árvore que abatemos plantamos três e assim contribuímos para que haja cada vez mais espaços verdes no concelho”.
Em Abril de 2017 foram abatidas três árvores, por ordem da câmara e sem razão aparente, nas traseiras da Av. D. José Alves Correia da Silva, em Fátima. Dirigi-me à câmara e pedi esclarecimentos do porquê do abate, já que as três árvores em questão (azinheiras com dezenas de anos) se apresentavam saudáveis, foram preservadas até então, mesmo durante a construção dos edifícios próximos e, além disso, nunca tinham sido sequer podadas (ao longo dos últimos dez anos, pelo menos).
Foram-me dadas várias “razões”, entre as quais: a existência de queixas de moradores porque as árvores faziam “lixo”; depois porque alegadamente uma das árvores interferia com um muro; e, finalmente, que o abate das árvores fazia parte de um projecto de requalificação da rua inteira, projecto esse que, segundo uma responsável da câmara, naquele momento, nem sequer existia. Ao demonstrar o meu descontentamento com as “razões” dadas, foi-me dito finalmente, a modo de fim de conversa, que “as árvores foram cortadas porque a câmara assim o entendeu”.
Do tal projecto de requalificação só foram mesmo cortadas as três árvores, o que me leva a crer que a estratégia é, afinal, abater as árvores do concelho, às três de cada vez. Não foram plantadas novas árvores e noutros canteiros na mesma rua, onde havia árvores doentes que morreram naturalmente, também não houve qualquer reposição.
Quatro anos decorreram desde o abate das árvores e ainda continuamos à espera do tal melhoramento da rua. Mesmo na Avenida principal de Fátima, na D. José A. C. da Silva, os plátanos plantados aquando das obras da nova avenida, que entretanto não resistiram e morreram, nunca foram repostos. Questiono-me qual o papel dos munícipes e qual o alcance da sua voz na tomada de decisões deste tipo. Será que apenas resta resignar-me, com uma sensação de impotência?
Daniela Braga