
VFX aposta no turismo religioso e recupera caminhos de Fátima e Santiago
Município requalificou os 32 quilómetros do caminho de Fátima e Santiago de Compostela que atravessa o concelho e acabou com sinaléticas criativas e publicidades ilegais.
Os 32 quilómetros do caminho de Fátima e Santiago que atravessa o concelho de Vila Franca de Xira foram totalmente requalificados e dotados de nova sinalética de apoio aos peregrinos que vem reforçar a aposta do município no turismo religioso.
A apresentação do projecto “Caminhos da Fé” realizou-se na manhã de sábado, 8 de Maio, em Alpriate, Vialonga, onde começa o percurso. Vila Franca de Xira desmatou e arranjou o piso dos caminhos, removeu sinaléticas criativas e não oficiais, grafites e publicidades ilegais e introduziu novos painéis oficiais de apoio aos peregrinos, em várias línguas, colocando também novos marcos pintados a indicar o caminho. Foi também publicado um guia do peregrino em espanhol, português, inglês e francês.
Valério Piteira, 56 anos, foi um dos peregrinos que O MIRANTE encontrou a atravessar o caminho em Alpriate. É de Faro, foi sozinho de comboio para Lisboa e daí arrancou para Fátima, onde espera chegar quinta-feira, 13 de Maio. Está a cumprir uma promessa. Vários amigos avisaram-no que percorrer os caminhos é uma aventura, porque nem sempre estão cuidados ou sinalizados. Aconselharam-no ir pelas estradas nacionais mas não quis por preferir o contacto com a natureza. “Decidi arriscar mas realmente em Vila Franca de Xira isto está fantástico”, elogia.
Mas depois da Castanheira do Ribatejo o caso vai mudar de figura, avisa José Pedro Calheiros, presidente da SAL - Sistemas de Ar Livre, a empresa que realizou os trabalhos em Vila Franca de Xira e que, a pedido do Turismo de Portugal, produziu em 2017 uma auditoria para aferir do estado dos caminhos de Fátima e Santiago.
A equipa percorreu os 145 quilómetros do caminho, tirou oito mil fotografias e identificou falhas no percurso. “Sobretudo falta de sinalética, mas encontrámos também marcos abandonados, esquecidos, sujos e degradados, bem como problemas de segurança rodoviária em muitos dos atravessamentos e muito mato por cortar”, conta a O MIRANTE.
Vila Franca de Xira, elogia, é, dos 10 municípios que integram o caminho de Fátima e Santiago, o que melhor os estruturou. Santarém o pior. “No concelho de Santarém, que tem também a maior extensão, mais de 30 quilómetros, as pessoas sentem-se completamente abandonadas na sinalética e estruturas de apoio”, lamenta José Pedro Calheiros.
Fé e economia de mãos dadas
O presidente de Vila Franca de Xira, Alberto Mesquita, diz que a circulação de peregrinos é importante para a economia local e que por isso o concelho não pode deixar passar ao lado as oportunidades do turismo religioso. “Acreditamos no potencial que estes caminhos têm para a nossa economia e turismo. Estamos disponíveis para partilhar com os restantes municípios a experiência adquirida com este trabalho”, afirmou.
