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Escultura de Rui Fernandes assinala centenário da praça de toiros da Chamusca
O escultor Rui Fernandes dedica a sua última obra de arte, situada à entrada da praça de toiros da Chamusca, à sua esposa, Maria Irene

Escultura de Rui Fernandes assinala centenário da praça de toiros da Chamusca

Dois anos depois das comemorações do centenário da praça de toiros da Chamusca, Rui Fernandes, escultor da Golegã, pode finalmente ver a sua obra de arte à vista de todos os que passam pela vila ribatejana. O MIRANTE acompanhou o momento da colocação da escultura de um toiro e conversou com o autor que dedica a obra à sua mulher, Maria Irene.

Às portas da centenária praça de toiros da Chamusca está uma nova escultura de um toiro, que mede cerca de três metros de altura e não deixa indiferente quem passa pela rua principal da vila ribatejana. Rui Fernandes, o mestre da Golegã, nascido na Nazaré, é o autor da obra de arte, inaugurada em Quinta-Feira de Ascensão. O artista plástico, que trabalha o barro com a mesma mestria que usa o pincel nas suas aguarelas, dedica a escultura à sua companheira de mais de duas dezenas de anos, Maria Irene, natural da Chamusca.
“Tem sido um apoio fundamental na minha vida de artista plástico. O trabalho que aqui está tem tanto do meu dedo como do dela. Foi um trabalho de equipa entre duas pessoas que se amam incondicionalmente”, confessa Rui Fernandes ao repórter de O MIRANTE que acompanhou o momento em que a escultura foi colocada junto à praça de toiros.
A obra de arte era para ter sido inaugurada em 2019, no ano do centenário da praça, mas vários problemas, incluindo a pandemia, impediram que o momento se concretizasse mais cedo. No entanto, Rui Fernandes admite que assim teve mais tempo para moldar as centenas de quilos de barro, tirar os moldes em gesso até chegar ao produto final em fibra de vidro. O mestre, que fala com um brilho nos olhos de quem cumpriu a sua missão, explica que a obra contou com a participação de dezenas de amigos que convidou para ajudar a fazer os moldes do barro. “Todo o meu trabalho tem sido uma angariação de amigos. O amor e a amizade são os principais ingredientes das minhas obras”, garante.
As mãos de Rui Fernandes e Maria Irene não se largam durante os cerca de 15 minutos de conversa com o repórter; a suavidade das mãos da mulher contrastam com a textura calejada do marido que não sabe fazer outra coisa a não ser meter as mãos na massa. “Agora que estou mais velho tenho-me preocupado mais em colocar creme hidratante”, partilha entre sorrisos.
Rui Fernandes está empenhado em continuar a trabalhar a sua obra “sem estar limitado ao que os outros querem, mas sim ao que a sua liberdade de pensamento lhe pede para fazer”. No caso do toiro da Chamusca, o artista quis dar vida a um espaço único, que está repleto de memórias de touradas e de outros espectáculos organizados por associações locais. “O meu trabalho é o reflexo do que me vai na alma e no coração. Vou continuar a valorizar a região ribatejana, a sua lezíria, os toiros e os cavalos”, garante.

OBRAS DE ARTE EM TODA A REGIÃO
Rui Fernandes tem várias esculturas conhecidas no espaço público da região ribatejana. O monumento ao toureiro, junto à estação de comboios de Vila Franca de Xira, é uma das mais conhecidas; a estátua de Fernando Lopes-Graça à conversa com Nini Ferreira, junto ao rio Nabão, em Tomar, também tem a sua marca,
O mestre da Golegã é também o autor da escultura de um toiro de grandes dimensões que está numa das artérias principais da vila capital do cavalo; na entrada norte da Azinhaga, terra de nascença de José Saramago, está uma escultura de grandes dimensões que homenageia os campinos daquela aldeia ribatejana.
Perde-se a conta à lista de Rui Fernandes, filho de Manuel Fernandes, de quem herdou a veia artística e com quem aprendeu os valores mais importantes da vida e da arte. “Costumo dizer que já nasci com o dom, mas ele vai-se apurando à medida que me vou apaixonando pela vida”, sublinha, acrescentando que os vários anos passados a trabalhar no ateliê do mestre Lagoa Henriques, em Lisboa, também definiram o seu selo de qualidade.
Nas despedidas, Rui Fernandes anuncia que tem vários projectos em mãos. O próximo é uma nova homenagem ao campino, numa localidade que preferiu não divulgar ainda. Depois de mais esta prova de fogo, diz que quer começar a pensar em organizar ou ajudar a organizar uma homenagem ao pai, que tem quadros espalhados por várias instituições da região e que foi esquecido e apagado de forma injusta do mapa. “Curiosamente, o meu pai era muito avesso a que seguisse a vida de artista talvez por sentir na pele o que custa. A minha missão é honrar a sua memória”, conclui.

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