
Junta de Azambuja veta artistas anti-touradas e atiça polémica nas redes sociais
Presidente da junta diz que posição publicada nas redes sociais, entretanto apagada, foi motivada pela defesa das tradições e da identidade de Azambuja. Inês Louro, que é também candidata do Chega à câmara, admite que não esperava tanta controvérsia.
A Junta de Freguesia da Azambuja publicou um comunicado nas redes sociais a anunciar que nos eventos a organizar “terá em consideração na escolha dos artistas o facto de se terem ou não manifestado contra as nossas tradições”. A posição do órgão autárquico, presidido por Inês Louro, eleita pelo PS e agora candidata à Câmara de Azambuja pelo Chega, surge a propósito de uma moção assinada por 240 artistas, que pedem o fim da transmissão de touradas na RTP.
A publicação, entretanto apagada, foi amplamente partilhada nas redes sociais, chegando mesmo a ser comentada por várias figuras públicas. A Junta de Azambuja organiza, em Setembro, uma festa anual em honra de Nossa Senhora da Assunção, a padroeira da freguesia.
A O MIRANTE, a autarca explica que a publicação foi motivada pela “defesa das tradições”, embora não estivesse à espera da repercussão que teve. “Quando fiz o post pensei que estava a falar para as pessoas de Azambuja”, acrescenta Inês Louro, que não percebe o “extremismo que foi dado à publicação”, quando esta era apenas uma razão a ponderar aquando da contratação dos artistas para as festas de Nossa Senhora da Assunção, que tem como base a religião e o touro.
No entanto, a autarca explica que a decisão prende-se também com a imagem e segurança dos próprios artistas. “Na minha perspectiva, acho que nem os artistas querem ter a sua imagem associada à festa taurinas, se são tão radicais ao acharem que é ofensivo passar uma corrida de touros num canal público”, acrescenta a O MIRANTE.
Inês Louro explicou ainda que o facto de não querer contratar artistas que se tenham manifestado contra a transmissão de touradas na RTP está também relacionado com a Poisada do Campino, associação cultural azambujense que apoia na organização da festa e que tem como base a defesa das tradições tauromáquicas. “É um desrespeito para eles”, defende a presidente da Junta de Azambuja, acrescentando que não estava a ser extremista quando fez a publicação.
O presidente da Câmara de Azambuja, o socialista Luís de Sousa, não comenta a decisão da junta de freguesia apesar de não concordar com a posição de Inês Louro, que é assumidamente aficionada. Recorde-se que, em Janeiro, a autarca, ainda militante do Partido Socialista, retirou o apoio à candidata presidencial Ana Gomes, que disse ser contra as touradas.
