
Demissões em bloco e falta de democracia colocam distrital do Chega em risco de cair
Está a aumentar a contestação interna à distrital do Chega e à sua presidente, Manuela Estêvão, com militantes a dizerem que grassa a falta de liberdade e democracia interna, o autoritarismo e ausência de comunicação com as concelhias. No Entroncamento os dirigentes demitiram-se em bloco e o ex-vice-presidente chega a alertar as pessoas para que pensem bem antes de votarem no partido.
Anda um reboliço no Chega do distrito de Santarém, com demissões em bloco e críticas à direcção distrital do partido, liderada por Manuela Estêvão, que está perto de cair. Depois da demissão em bloco da comissão política concelhia do Entroncamento, há também elementos a saírem da distrital e dos nove elementos efectivos apenas três dirigentes estão com Manuela Estêvão. A presidente da distrital desvaloriza os tumultos internos e diz que tem o apoio de todas as concelhias, acrescentando que os militantes que falam sobre a vida do partido são da oposição interna.
Em Lisboa, na sede nacional, já é conhecida a contestação à liderança de Manuela Estêvão, que é acusada de autoritarismo, de fazer uma gestão onde impera a falta de liberdade e democracia. O ex-vice-presidente da concelhia do Entroncamento, Rafael Costa, que além de se demitir desistiu da candidatura à assembleia municipal, confirma que há um fraco exercício da democracia no partido a nível distrital e falhas na comunicação.
Rafael Costa revela que vai desvincular-se do partido, porque sabe que depois de falar com O MIRANTE iria ser suspenso. “Porque é assim que o Chega funciona: ou dizemos o que querem ou então tentam calar-nos, porque acham que estamos contra eles”, explica.
Manuela Estêvão contrapõe, dizendo que é uma pessoa bastante democrática, mas que há regras que têm de ser seguidas, considerando as demissões normais num partido novo como o Chega.
“Pensem bem antes de votar no Chega”
Depois da invasão, em Dezembro, de uma reunião da distrital por elementos de duas concelhias, que se queixavam de não terem sido convidados, chegando a registar-se agressões, a instabilidade aumentou quando o presidente da concelhia do Entroncamento, Roberto Pinto, não aceitou ser candidato à câmara por motivos profissionais.
A concelhia sugeriu uma jovem que foi rejeitada, segundo a distrital, por falta de experiência da candidata. Rafael Costa diz que a distrital já estava, nessa altura, a preparar tudo para que apresentassem Diamantino Graça no Entroncamento. Outra situação que está a desassossegar os militantes próximos da distrital é a escolha de um militante do Entroncamento, Pedro Correia, para candidato à Assembleia Municipal de Santarém.
Perante as confusões que aumentam no partido, Rafael Costa chega ao ponto de dizer: “Só espero que os eleitores pensem bem antes de votar no Chega”. Acrescenta ainda que há saneamentos políticos, porque quem fizer algo que a distrital não goste é levado a sair do partido. “É tudo um jogo de poder”, sublinha.
“O Chega não é um clube de amigos e de famílias”
Alguns elementos da distrital que têm tido opiniões contrárias à líder estiveram na semana passada uma hora à porta da sede distrital para uma reunião sobre as autárquicas, mas ninguém lhes abriu a porta.
Manuela Estêvão diz que é natural que as pessoas que apresentaram listas autárquicas que eram uma “oligarquia familiar e de amigos”, e que foram “liminarmente rejeitadas” pela distrital, se sintam descontentes. A líder distrital conclui dizendo que o Chega não é um clube de amigos e de famílias.
