
Nova Casa do Benfica de Santarém é o grande desafio para os dirigentes recém-eleitos
Projecto para construção da nova Casa do Benfica 2.0 de Santarém, nas cafetarias devolutas do Jardim da Liberdade, tem-se arrastado e motivado alguma polémica.
A Casa do Benfica de Santarém elegeu os novos órgãos sociais para o mandato 2021/2024. A direcção passou a ser liderada por Luís da Conceição Santos, que tem como vice-presidentes Hélder Domingos, Miguel Duarte, Nuno Russo, Pedro Gouveia, Pedro Laranjeira e Jorge Vítor.
Como presidente da assembleia-geral mantém-se João Veloso, acompanhado por Álvaro Gaivoto, Ricardo Araújo e João Batista. No conselho fiscal continua como presidente António Valente, apoiado por Tiago Simões e Augusto Gonçalves.
Os novos dirigentes da Casa do Benfica de Santarém assumem como objectivos principais a manutenção e o apoio às modalidades existentes (judo, tiro e ginástica), a angariação de novos sócios e de novas fontes de financiamento, e ainda o grande desafio de concretização da nova Casa do Benfica 2.0, no Jardim da Liberdade.
O projecto, cuja localização prevista em imóveis municipais gerou alguma controvérsia, é falado há alguns anos mas ainda não saiu do papel. Em reunião de câmara recente, o presidente do município, Ricardo Gonçalves, voltou a garantir que o projecto é para concretizar e que o arrastar do processo se deve à crise pandémica.
Em Outubro de 2020 o presidente do SL Benfica agora suspenso, Luís Filipe Vieira, garantiu, num encontro com sócios em Santarém, que o projecto não está na gaveta e só ainda não foi executado por causa da pandemia de Covid-19.
As obras têm a duração prevista de cerca de quatro meses e um investimento que ronda um milhão de euros. O projecto piloto das novas Casas do Benfica terá diversas valências para além de serviços e uma loja ligados ao clube. Vai também ter um restaurante.
Suspensão de Vieira leva Bloco a querer esclarecimentos
A detenção do presidente do SL Benfica e a sua suspensão de funções levou o eleito do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal de Santarém, Vítor Franco, a propor a realização de uma conferência de líderes da assembleia municipal com o presidente da câmara onde possam ser prestados esclarecimentos sobre a situação da Casa do Benfica 2.0. “A intenção é o esclarecimento e a serenidade pública de que a situação do presidente do Benfica não se relaciona com este projecto, anunciado em Fevereiro de 2019”, diz Vítor Franco.
O Bloco de Esquerda saúda ainda a nova direcção da Casa do Benfica de Santarém, “à qual deseja um bom trabalho com a comunidade”.
Políticos divididos sobre localização do projecto
Recorde-se que no final de 2018 a Câmara de Santarém deliberou a desafectação do domínio público para o domínio privado do município das cafetarias do Jardim da Liberdade, em Santarém, com a finalidade de as ceder ao Benfica, o que suscitou polémica na assembleia municipal. Alguns deputados municipais insistiram sobre a necessidade dessa transição e quiseram saber mais alguns contornos do negócio.
Já em Março de 2019 a Associação Mais Santarém – Intervenção Cívica (AMSIC) manifestou-se publicamente contra a intenção do município em ceder as cafetarias do Jardim da Liberdade, alegando que a cedência desses edifícios é “atentatória dos interesses da cidade e dos munícipes”.
A contestação continuou em finais de Maio de 2019 quando 32 pessoas lançaram um manifesto em que apelavam ao presidente da Câmara de Santarém que repensasse a sua posição. O documento não contestava o projecto em si mas a sua localização, por se tratar de um espaço nobre da cidade que, na óptica dos subscritores, não deve ser usado para “fins clubísticos que possam dividir e condicionar a sua frequência a parte da população do concelho”.
