Os tomates sem bilhete e as meias a cheirar a chulé para afastar as mulheres da política
Veemente Serafim das Neves
Num comboio da linha de Azambuja um passageiro levou um pontapé nos tomates, aplicado por uma mulher polícia, por não ter bilhete e insistir em continuar viagem sem pagar.
Não se sabe o que aconteceu aos apêndices do viajante mas a agente da autoridade não se livra do inquérito da ordem e de um eventual castigo. E se em vez de mulher fosse homem iria sentir os tomates bem apertados pelos inquiridores.
O saudoso Diácono Remédios diria que não havia nechechidade e eu digo o mesmo. Identificava-se o infractor, o comboio continuava viagem, ele era notificado para pagar a multa da praxe que, muito provavelmente, nunca pagaria e tudo acabava em bem com os outros passageiros a chamarem nomes à polícia.
Um estudo sobre os autarcas e as autarcas em democracia veio mostrar que as nossas tradições estão vivas e bem vivas e que não há leis lisboetas, sejam de quotas ou de paridades, que acabem com elas.
Por aqui a tradição é serem os homens a mandar, para protecção e descanso das mulheres e, na primeira linha da defesa dessa nobre tradição, estão os militantes de base dos partidos políticos.
São rapazes valentes e determinados, tipo forcados amadores da política local, que tudo fazem para não deixar entrar mulheres nas suas tertúlias partidárias, salvando-as assim do cheiro de peúgas com quinze dias de uso, ou do bedum corporal de uma semana e meia sem banho.
Pelos nossos lados tivemos, a certa altura, uma quebra de vigilância que permitiu o aparecimento de cinco ou seis mulheres presidentes de câmara, mas esse mau momento tem vindo a ser reparado e após as eleições deste ano só deve ficar uma ali em Tomar...e é se ficar.
Quem é capaz de preservar as touradas e as sandes de coiratos, em tempos de combate ao colesterol e de equiparação dos animais a cidadãos de pleno direito, é capaz de tudo. E os ribatejanos de boa cepa, criadores do marialvismo galopante, do campino de vara comprida e da sopa da pedra com batata, feijão, carnes gordas e enchidos são o capazes disso e de muito mais.
O tal estudo de investigadores do ISCTE concluiu que as mulheres autarcas até têm mais estudos. Mas isso não lhes tem valido de nada na altura de escolher os nomes para as listas. Nos clubes concelhios de qualquer partido continua a ser dada preferência aos melhores a jogar à sueca, a beber minis e a contar anedotas.
Mas há mais. Assim que chegam ao poder, as mulheres, mesmo as que se depilam, acabam por ter os mesmos comportamentos dos homens incluindo a falta de transparência e a tendência para a corrupção.
E também nos programas eleitorais e nas mensagens políticas as mulheres não apresentarem grandes diferenças em relação à generalidade dos homens eleitos presidentes. E o mesmo acontece na falta de transparência das informações disponibilizadas dos sites camarários.
Ou seja, assim que se apanham no poleiro as mulheres, em nome da igualdade, claro está, mudam o “chip” para o chispe e passam a ser verdadeiros homens. Ou ainda mais homens que os homens.
Saudações igualitárias
Manuel Serra d’Aire