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Obras no Esteiro de Azambuja obrigaram a sacrificar árvores
Dezenas de árvores, algumas centenárias, foram abatidas para preparar terreno para obra de requalificação. Alguns moradores estão descontentes com alteração paisagística, mas o município diz que não havia outra solução e garante que vão ser plantadas novas espécies.
A Câmara de Azambuja mandou abater dezenas de árvores junto à Vala do Esteiro com o objectivo de preparar o terreno para a requalificação ambiental e arranjo paisagístico da zona. Plátanos centenários, freixos, eucaliptos e choupos foram algumas das espécies eliminadas numa intervenção protocolada e totalmente financiada pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
O corte da zona arborizada surpreendeu e está a gerar contestação entre alguns populares que classificam a actuação da autarquia como um atentado à natureza e património natural de Azambuja. João Martins, que costuma fazer caminhadas naquela zona muito frequentada para a prática de exercício físico, lamenta que com a “desculpa de uma requalificação” se tenha optado pela “destruição” de árvores saudáveis e com mais de cem anos. “Era possível fazer uma via pedestre ou ciclovia à sombra daquelas maravilhosas árvores e mostrar aos mais novos a beleza daquilo que a natureza constrói ao longo do tempo”, diz a O MIRANTE.
Segundo a autarquia, dos trabalhos de limpeza que estão a ser realizados fazem parte o corte selectivo, a poda e controlo de espécies invasoras, assim como a plantação de árvores e arbustos autóctones para promover a “renaturalização das margens” da Vala Real, desde a ponte junto à foz da Vala do Esteiro até à zona envolvente ao Palácio das Obras Novas.
O presidente da Câmara de Azambuja, Luís de Sousa, garantiu ainda a O MIRANTE que algumas das árvores abatidas estavam “totalmente secas por dentro e em risco de cair”. Além disso, explicou, “a zona onde vai ser construída uma ciclovia e colocados equipamentos para fazer exercício físico é precisamente a mesma onde cortaram o arvoredo” não havendo, por isso, outra alternativa senão o corte. “Como é óbvio vão ser replantadas outras árvores de espécies adequadas”, sublinhou, acrescentando que os exemplares abatidos foram encaminhados para centrais de produção de biomassa e para uma fábrica de produção de pasta de papel.
Projecto de dois milhões
A requalificação do Esteiro de Azambuja, recorde-se, foi adjudicada em Julho de 2021 à Construções Pragosa S.A., pelo valor de um milhão e 872 mil euros, acrescidos de IVA. A intervenção, co-financiada por fundos comunitários, prevê a criação de zonas destinadas à pesca desportiva, bolsas de estacionamento, uma ciclovia, áreas de piquenique, equipamentos de actividade física ao ar livre, um bar com esplanada e construção de um cais para embarcações de pequeno porte.
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