
Rotundas prometidas na EN3 em Azambuja são uma miragem
Projecto foi anunciado em Janeiro de 2019. O presidente do município já não arrisca previsões e a Infraestruturas de Portugal fica em silêncio. A perigosidade do troço vai fazendo novas vítimas.
A construção de duas rotundas aos quilómetros 5,8 e 6,4 da Estrada Nacional 3, entre Vila Nova da Rainha e o Espadanal, em Azambuja, para garantir a fluidez de tráfego e reduzir a elevada sinistralidade com a proibição de viragens à esquerda, foi anunciada em Janeiro de 2019 mas continua por cumprir.
As linhas gerais do projecto foram apresentadas há dois anos e meio pelo presidente do conselho de administração da Infraestruturas de Portugal (IP), António Laranjo, durante a assinatura do acordo de colaboração entre a empresa pública e a Câmara de Azambuja. A IP estimava que o projecto estivesse concluído no segundo trimestre de 2019. Em 2021 o projecto ainda anda a rolar de mãos em mãos e não há prazos para o lançamento da empreitada.
O presidente da Câmara de Azambuja, Luís de Sousa, que está de saída, confessa que o projecto que deu entrada nos serviços da autarquia em Outubro de 2020, “demorou mais do que o esperado” e veio com “dúvidas que precisaram de ser esclarecidas”. As alterações sugeridas à IP, responsável pela elaboração do projecto, já foram por esta analisadas e o projecto foi novamente devolvido à autarquia para segunda análise.
“Estamos com alguma pressa, tanto nós, município como a empresa [privada] que vai pagar uma das duas rotundas. Agora previsões? Já não me meto nisso”, afirmou o autarca a O MIRANTE. A IP, contactada para mais esclarecimentos sobre o andamento do processo, não deu qualquer resposta.
Estrada vai somando vítimas e aumento de tráfego
De acordo com os últimos dados oficiais, em 18 anos morreram 38 pessoas no troço entre Azambuja e o Carregado, sendo o número de feridos e de acidentes bastante superior. Dos últimos sinistros, ocorridos em Maio e Julho deste ano, resultaram dois feridos ligeiros transportados ao hospital e duas vítimas assistidas no local.
A IP estimava, em 2019, que entre Vila Nova da Rainha e o Espadanal circulassem na EN3 diariamente 8.556 veículos, dos quais 22% seriam veículos pesados. Também estes números sofreram um aumento drástico com a instalação de novas empresas e a expansão de outras, como a Sonae que aumentou recentemente a área de armazém.
Movimento cívico fala em jogo do empurra
O movimento cívico, Plataforma EN3, do qual fazem parte utilizadores, alguns dos quais já perderam familiares naquela estrada, tem continuado a dar conta dos atrasos da tão aguardada obra e da contínua sinistralidade rodoviária. Para André Salema, representante e um dos fundadores do movimento, é de “lamentar que os compromissos oficiais ainda não tenham visto a luz do dia e se ande a protelar e a empurrar entre entidades um investimento que já devia ter sido há muito concretizado”.
A empresa Azambuja Virde Cella (anteriormente Projespin S.A), que assumiu o compromisso de financiar na totalidade uma das rotundas (cerca de 500 mil euros), já avançou com a construção dos dois edifícios onde vai laborar, na plataforma logística, em Vila Nova da Rainha. Não poderá, contudo, iniciar a laboração sem a construção da rotunda que dará acesso às instalações e cujo lançamento da empreitada depende integralmente da IP.
