
Museu da Tauromaquia em Vila Franca de Xira continua em ponto morto
Processo de criação do museu dava uma novela. Desentendimentos entre aficionados tem feito arrastar o processo e Alberto Mesquita vai sair da câmara sem concretizar um dos seus objectivos.
Entre arrufos, intrigas e frustrações o actual mandato autárquico vai chegar ao fim sem que Vila Franca de Xira tenha conseguido criar o tão ambicionado - e inédito na região - Museu da Tauromaquia.
Era um sonho e uma ambição pessoal que o presidente da câmara, Alberto Mesquita, queria concretizar antes de terminar o mandato mas não conseguiu depois dos aficionados nunca se terem entendido sobre o assunto. O autarca acredita que os aficionados “terão de se entender” no futuro se quiserem vir a ter um museu dedicado à festa brava no concelho mas deixa um desabafo a O MIRANTE: “Cometi um erro que foi falar com demasiada gente. Se tivesse decidido avançar à minha maneira o museu já estaria feito e aberto ao público. Mas a democracia é isso mesmo e devemos ouvir as pessoas”.
O autarca, que em tempos admitiu sair desgostoso e frustrado com o assunto, mostra-se agora em paz consigo próprio notando que fez tudo o que estava ao seu alcance para concretizar o sonho do Museu da Tauromaquia.
“Nestas matérias da tauromaquia as opiniões são díspares e muito aguerridas. Eu estava muito animado e convicto que era possível fazer o museu mas depois houve coisas que me desagradaram. Certamente que agora as pessoas envolvidas no assunto vão retomar esse processo e cá estaremos para ver no que dá”, frisa o autarca.
Nem uma moção aprovada por maioria na assembleia de freguesia em Janeiro de 2019, exortando o executivo a cumprir a promessa de instalar o museu na cidade, foi suficiente para fazer o projecto avançar.
Os aficionados escolhidos para a comissão de criação do museu nunca se entenderam e não tiveram a capacidade de se unirem e discutirem o tema desapaixonadamente. Sem consensos à vista e com discussões acaloradas nos últimos anos, onde nem faltaram as ameaças de pancadaria, Alberto Mesquita atirou a toalha ao chão e deixou fugir o sonho.
Uma das ideias do autarca era concretizar o museu na praça de toiros Palha Blanco, no espaço que antigamente foi ocupado pelo restaurante Redondel. Uma solução que não agradou à maioria.
Terra de toureiros, forcados, ganadeiros, campinos, recortadores e aficionados, Vila Franca de Xira não tem um museu dedicado à festa brava que agregue o espólio de todos eles. Defender a festa brava, eternizar as suas maiores figuras e contribuir para a projecção nacional e internacional da tauromaquia, cidade e região eram outros dos objectivos do museu.
A cidade tem alguns espaços museológicos dedicados à afición, como a Casa Museu Mário Coelho e as próprias tertúlias da cidade, tendo agora também diversos bustos na rua alusivos aos seus matadores de toiros mais icónicos. A propósito do seu centenário, também os forcados amadores da cidade pretendem avançar com a requalificação da sua tertúlia adaptando-a em pequeno museu dedicado à sua história.
