
Os recursos humanos são o bem mais precioso de uma empresa
Delphine Gerardo, 36 anos, é co-fundadora, directora de recursos humanos e financeira da empresa de construção Vomera - Building Solutions
Perdeu o medo de arriscar e há dois anos tornou-se numa mulher empresária. Delphine Gerardo é co-fundadora da empresa de construção Vomera, sediada em Santarém. Reconhece a dificuldade na contratação de mão-de-obra e defende a valorização dos recursos humanos nas empresas. Tem orgulho de gerir uma empresa que dá garantias de qualidade aos clientes que lhe batem à porta de projecto na mão em busca de um sonho de vida: a casa dos seus sonhos.
Esqueceu o sonho de ser professora, licenciou-se em gestão de recursos humanos e passou dez anos a trabalhar no departamento de recursos humanos numa empresa do sector da construção, em Cabo Verde. Há dois anos, depois de regressar a Portugal, decidiu arriscar e tornar-se numa mulher empreendedora. Juntamente com o marido, Sérgio Santos, fundou do zero a Vomera- Building Solutions, uma empresa de construção civil, com sede em Santarém, criada para responder a um mercado cada vez mais exigente e inovador. “Este projecto era uma ambição antiga. Depois do regresso sabia que ou agia e corria atrás deste sonho ou acabaria a trabalhar numa outra empresa mais dez anos”, começa por dizer a empresária de 36 anos.
É nos escritórios da empresa, onde nos recebe, que Delphine Gerardo passa a maior parte do seu dia de trabalho. Entra às 09h00, depois de ter deixado os três filhos nas respectivas escolas para se desdobrar entre as burocracias dos concursos públicos, idas ao banco, licenças de contratos necessários para as obras e entrevistas de trabalho. É ponderada, disponível e preocupada, seja com os clientes ou com os 32 trabalhadores da empresa.
“Se o trabalho se fizer num ambiente saudável faz-se muito melhor. Penso sempre e em primeiro lugar nos nossos recursos humanos. Temos equipas jovens e dinâmicas, às quais damos condições acima da média, desde o salário a um seguro de saúde pessoal e formações”, diz, defendendo que “se o trabalho se fizer num ambiente saudável faz-se muito melhor”.
E se “os recursos humanos são a [sua] maior preocupação”, a directora de recursos humanos da Vomera sabe que também “são o bem mais precioso de uma empresa”. Depois da crise de 2008 muitos trabalhadores do sector saíram de Portugal e nunca mais voltaram agudizando a dificuldade das empresas de construção em suprir as suas necessidades de recursos humanos. “É inegável que há falta de mão-de-obra na construção sobretudo nas especialidades de pedreiro e carpinteiro”, sublinha, acrescentando que “muito poucos vão a entrevistas com algum tipo de experiência na área”. Licenciados desempregados, jovens que deixaram a escola e estrangeiros que não falam português são alguns dos que lhe batem à porta a pedir emprego. Sobre estes últimos, Delphine Gerardo é peremptória: “A língua é um grande entrave nesta área. Não podemos contratar uma pessoa que não vai entender o que lhe pedem para fazer”.
Rigor no planeamento e controle de qualidade são pilares da obra
A Vomera tem actualmente uma dezena de obras em curso, entre sector público e privado, dois nichos de mercado para os quais a empresa está preparada para dar resposta. Orçamentação, preparação, rigor no planeamento e controlo de qualidade são os pilares que seguram qualquer obra que aceitem ou à qual se candidatem. “Há muitas pessoas a querer construir, sobretudo de raiz, e nem todas as empresas conseguem dar resposta nem dar as garantias que nós damos”, afirma.
Quando em Agosto de 2019 se concretizou o sonho idealizado a dois, Delphine Gerardo jamais imaginaria que meses depois o país e o mundo iriam entrar em recessão por causa de uma pandemia. “Foi duro. Tínhamos orçamentos que foram entregues ao cliente antes da Covid-19 com um determinado valor e depois deparamo-nos com um aumento significativo do preço dos materiais. Quem saiu prejudicado? O cliente nunca”, afirma com convicção, explicando que a Vomera continuou a assumir os orçamentos previamente definidos. Apesar do aumento de preços e dos atrasos na entrega de alguns materiais vindos do estrangeiro a obra da Vomera continuou. Ao fim de dois anos o balanço “não podia ser mais positivo” e, acrescenta Delphine Gerardo, “não há satisfação maior do que entregar a alguém a casa dos seus sonhos”.
