
Autarcas exigem equipamento cultural na Castanheira do Ribatejo
Proposta apresentada pela CDU foi aprovada por maioria e exige que a Câmara de Vila Franca de Xira avance com a construção de um centro cultural na localidade.
O executivo municipal de Vila Franca de Xira assumiu, no dia 3 Novembro, o compromisso de construir um equipamento cultural na União de Freguesias da Castanheira do Ribatejo e Cachoeiras. A proposta, apresentada pelos vereadores da CDU, foi aprovada por maioria com a abstenção do Partido Socialista.
O documento exige que o município identifique as necessidades das populações, financie e planeie as respostas a dar reservando verba no orçamento para permitir o avanço do projecto, a sua construção e manutenção. A proposta pede também que a câmara envolva as populações e o movimento associativo no plano de identificação das necessidades e na concepção de uma programação cultural e criação de um equipamento multifuncional.
David Pato Ferreira, da Coligação Nova Geração liderada pelo PSD, votou a favor da proposta da CDU por se tratar de uma reivindicação da mais “elementar justiça” mas lembrou que também Póvoa de Santa Iria e Vialonga precisam de equipamentos culturais há muito em falta. “Apelo a que esta proposta seja englobada na criação de uma estratégia de resposta de equipamentos culturais transversal a todo o concelho”, defendeu, ao mesmo tempo que notou que a reabilitação do antigo cinema da Castanheira do Ribatejo poderia ser o espaço cultural ideal para a localidade.
Lembrou também que o Teatro Estúdio Ildefonso Valério, em Alverca do Ribatejo, continua “sem ter boas condições” e que a sua legalização mantém-se num impasse. Já o presidente da câmara, Fernando Paulo Ferreira, notou que a gestão autárquica não se faz apresentando propostas avulsas e sem assento em estratégias e disponibilidades financeiras.
“Temos de fazer as coisas com responsabilidade, organização e exigência. Como é a primeira reunião e ainda não tínhamos visto a táctica que a CDU apresentará neste mandato, vamo-nos abster na proposta, tendo em conta a generosidade própria da primeira reunião”, notou Fernando Paulo Ferreira.
À margem
Vereadores e presidente de junta mudos
A primeira reunião de câmara do mandato em Vila Franca de Xira ficou marcado pela surpresa de ver Fernando Paulo Ferreira a tomar todo o controlo das operações. Centrou em si todas as respostas e, por isso, os vereadores socialistas nunca abriram a boca. Excepção para a vice-presidente, Marina Tiago, que usou da palavra apenas quando o presidente se ausentou para ir à casa-de-banho e mesmo assim foi apenas para conduzir os trabalhos.
O período antes da ordem de trabalhos ficou marcado pela falta de respostas a várias matérias apresentadas pelos vereadores da oposição, que Fernando Paulo prometeu responder na próxima sessão. O autarca nunca embalou em discussões acesas com a oposição nem alimentou polémicas deixando cair no silêncio os argumentos e acusações lançadas, sobretudo, pela CDU.
David Pato Ferreira, da Coligação Nova Geração, liderada pelo PSD, e Barreira Soares, do Chega, foram as principais surpresas colocando as ideologias para trás das costas e votando favoravelmente propostas apresentadas pelo PS e CDU. Na primeira fila estava o novo presidente da União de Freguesias da Castanheira do Ribatejo e Cachoeiras, o socialista Mário Baptista, que entrou mudo e saiu calado. Se isto é um sinal do que está para acontecer nas restantes freguesias do concelho então serão más notícias para toda a comunidade. Afinal de contas um presidente de junta sem voz arrisca-se sempre a que alguém fale por ele.
