Culpa morre solteira no caso da mortandade de peixes no Almonda
Foi a 6 de Agosto de 2024 que ocorreu uma grande mortandade de peixes no leito do rio Almonda, em Torres Novas, devido a uma descarga poluente. Os holofotes voltaram a virar-se para aquele rio que foi noutros tempos considerado um dos maiores contribuintes para a poluição no Tejo. Mas, à semelhança de outras ocorrências, não foi encontrado nem responsabilizado o culpado pelo crime ambiental.
“O Ministério Público concluiu que houve uma descarga ilegal mas não conseguiu identificar a causa do sucedido”, responde a O MIRANTE o vereador do Ambiente na Câmara de Torres Novas, João Trindade (PS), quando questionado se a culpa para este episódio sempre vai morrer solteira. “Não é questão de morrer ou não solteira, mas a investigação não conseguiu concluir a origem da descarga”, prosseguiu o autarca, sublinhando que “nunca houve desconfianças de ninguém” e que não se trata nem nunca se tratou de qualquer tentativa de encobrir o responsável.
As análises, recorde-se, revelaram que a 6 de Agosto as águas do rio Almonda excediam 28 vezes o limiar de qualidade, com carga orgânica muito elevada e diminuição do oxigénio, confirmando o relatório, divulgado pelo município, a ocorrência de uma descarga, mas sem permitir identificar a origem da mesma. A Câmara de Torres Novas, que se referiu ao sucedido como um “grave episódio de poluição ambiental”, interditou, ainda no mesmo mês, a pesca e outras actividades recreativas até as análises apresentarem valores satisfatórios. Os serviços municipais recolheram cerca de uma tonelada de peixes mortos do rio. Recentemente, o município investiu numa acção de repovoamento de peixes nativos no troço do rio afectado pela descarga poluente.
Espuma não é sinónimo de poluição, diz vereador
Questionado sobre a presença de espuma branca no leito do rio Almonda captada em imagens tiradas precisamente no dia em que fazia um ano da morte da tonelada de peixes, o vereador do Ambiente responde que “não significa que seja poluição”. A água do rio, explicou, continua a ser analisada duas vezes ao ano de forma contínua em alguns pontos de amostragem. Além disso, vincou, há cerca de duas semanas foi medida a qualidade da água com uma sonda multiparamétrica que não revelou “nada de anormal”.

