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Morreu o oficial de justiça Francisco Costa
Francisco Costa, natural de Azinhaga, Golegã, era oficial de justiça em Santarém e morreu quando estava para se reformar - foto arquivo O MIRANTE

Morreu o oficial de justiça Francisco Costa

Francisco Costa, natural de Azinhaga, Golegã, estava internado com cancro nos pulmões e fez 66 anos no hospital. Não resistiu a uma cirurgia para tentar debelar a doença.

O oficial de justiça há 30 anos no Tribunal da Comarca de Santarém, Francisco Costa, faleceu na noite de segunda-feira, 11 de Agosto, no Hospital de Santarém, onde estava internado com um cancro nos pulmões. O funcionário que ultimamente desempenhava funções na central dos juízos instalados na antiga Escola Prática de Cavalaria, como trabalho, cível, comércio, família e menores, estava para se reformar de 42 anos de serviço quando lhe foi diagnosticada a doença. Tinha sido operado aos pulmões no Hospital Pulido Valente em Lisboa e tinha regressado à unidade de Santarém no sábado, dia 9.
Francisco Costa, 66 anos, feitos quando já estava internado, estava desejoso de se reformar de 42 anos ao serviço da justiça, para estar mais tempo com o pai, de 91 anos, que tem dificuldades de locomoção e precisa de cuidados de saúde. Não tinha mulher nem filhos e a família mais próxima são uns primos que vivem na mesma zona. Era considerado um funcionário dedicado, amigo, bem-disposto, apesar de reclamar quando encontrava coisas mal feitas. Natural de Azinhaga, concelho da Golegã, chegou a ser dirigente do Azinhaga Atlético Clube, onde o seu primo, Manuel Galrinho Bento, considerado o melhor guarda-redes português de sempre, começou a sua carreira futebolística tornando-se uma glória do Benfica.
A estima que tinham por ele ficou evidente quando um grupo de 28 funcionários judiciais se organizaram para fazerem escalas de visitas no hospital e tratarem de tudo o que fosse preciso durante o internamento, desde a alimentação a artigos que pedia. No dia do seu aniversário levaram um bolo para comemorarem na enfermaria. A sua morte causou um sentimento de consternação nos tribunais de Santarém.
O cancro não seria alheio a cinco décadas de tabaco. Começou a fumar aos 13 anos e nestes últimos anos consumia diariamente 20 cigarros de tabaco aquecido. Francisco Costa esteve na guerra colonial em Angola e sobre medos não sabia qual era o pior, o da guerra ou o do cancro, quando O MIRANTE o visitou no hospital para fazer a reportagem sobre a solidariedade dos colegas. Durante o internamento do que mais sentia falta era dos petiscos com os amigos.

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