Estado do Aqueduto dos Pegões faz soar alarmes
Autarcas da Câmara de Tomar alertam para a necessidade de intervenção de fundo no Aqueduto dos Pegões, monumento nacional sob tutela do Ministério da Cultura. Vereador José Delgado defende a interdição imediata da circulação de pessoas na zona, devido aos sinais de instabilidade estrutural. Instituto Património Cultural decidiu realizar vistoria.
O vereador da Câmara de Tomar José Delgado (PS) alertou para o risco iminente de colapso do Aqueduto dos Pegões, defendendo a interdição imediata da circulação de pessoas, tendo classificado o estado do monumento como “alarmante” e “muito grave”. José Delgado, engenheiro técnico civil de formação, especialista e perito em reabilitação e segurança, disse à Lusa que existem sinais evidentes de instabilidade estrutural em várias zonas do aqueduto, defendendo a adopção urgente de medidas preventivas, nomeadamente a colocação de alertas, restrições de acesso e a realização de um diagnóstico técnico aprofundado.
Na última reunião do executivo municipal, o presidente da Câmara de Tomar, Tiago Carrão (PSD), referiu que o executivo partilha a preocupação manifestada pelo vereador do PS, revelando que já transmitiu informalmente a situação à ministra da Cultura e que o município pretende solicitar, durante o mês de Janeiro, reuniões com vários ministérios e secretarias de Estado.
Tiago Carrão adiantou ainda que a preocupação com o estado do Aqueduto dos Pegões já foi levada ao Parlamento pelo deputado da Assembleia da República Ricardo Carlos, no âmbito da discussão do Orçamento do Estado para 2026, sublinhando que a prioridade é “passar da preocupação à acção” para garantir a segurança e a preservação do monumento.
Vistoria agendada para esta terça-feira
Na sequência desses alertas, uma equipa técnica do instituto público Património Cultural decidiu realizar na terça-feira, 6 de Janeiro, uma avaliação ao estado estrutural do Aqueduto dos Pegões. O presidente da Câmara de Tomar confirmou a realização da visita, “para avaliar no local as condições estruturais” do monumento, na sequência de alertas sobre possíveis riscos de colapso, tendo destacado a celeridade da resposta das entidades da tutela e do instituto Património Cultural, responsável pela salvaguarda do aqueduto, considerado património nacional.
O vereador José Delgado advertiu na reunião do executivo municipal, realizada a 29 de Dezembro, para a degradação progressiva da estrutura, sobretudo nos pilares e arcos mais elevados, salientando a presença de arbustos e árvores com cerca de 5 a 10 centímetros de diâmetro incorporados no coroamento e nas laterais do aqueduto.
Segundo o vereador, essa vegetação cria canais de infiltração que “lavavam as argamassas e os finos”, enfraquecendo toda a estrutura, situação agravada pela ausência de um plano de manutenção regular ao longo dos anos, com excepção de uma intervenção pontual realizada há vários anos, em quatro pilares. Na mesma reunião, José Delgado recordou que, apesar de uma obra de reforço estrutural realizada há anos em alguns pilares, no valor aproximado de meio milhão de euros, grande parte do aqueduto ficou fora dessa intervenção, alertando que “qualquer pessoa, mesmo sem formação técnica, chega ao local e fica alarmada”.
O Aqueduto dos Pegões, um dos principais símbolos patrimoniais do concelho de Tomar, foi construído entre 1593 e 1614 para abastecer de água o Convento de Cristo, tem cerca de seis quilómetros de extensão e atinge uma altura máxima de cerca de 30 metros na zona dos Pegões Altos, estando classificado como Monumento Nacional desde 1910.
Levantamento em 2018 alertava para necessidade de intervenção
Em 2018, um levantamento técnico realizado por especialistas do Departamento de Engenharia Civil do Instituto Superior Técnico identificou necessidades de intervenção no aqueduto avaliadas, no global, em cerca de 10 milhões de euros, tendo então sido executada uma empreitada de reforço de quatro pilares considerados críticos. Essa intervenção, promovida pelo município, representou um investimento de cerca de 425 mil euros, com comparticipação comunitária de 85%, mas não abrangeu a maioria da estrutura, que continua sem obras de conservação de fundo.

