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Trabalhadores da Nobre em Rio Maior cumpriram 26.ª greve desde 2023

As paralisações laborais têm sido uma constante nos últimos três anos na empresa Nobre, em Rio Maior. Sindicato alega que a luta visa denunciar a falta de vontade da empresa para negociar o caderno reivindicativo dos trabalhadores. O MIRANTE tentou saber o que a Nobre tem a dizer sobre esta sucessão de greves, mas não obteve resposta.

Os trabalhadores da empresa Nobre, em Rio Maior, cumpriram na sexta-feira, 9 de Janeiro, a 26.ª greve convocada desde 2023, por falta de resposta ao caderno reivindicativo. A primeira greve deste ano foi convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB), que divulgou o pré-aviso para a paralisação, na unidade de Rio Maior, onde os trabalhadores se concentraram durante a manhã de sexta-feira.
A greve teve, de acordo com o sindicato, uma adesão de 60%, mas a empresa aponta um máximo de 28% dos trabalhadores em falta. O sindicato teve, no dia anterior à greve, uma reunião com a Nobre, na qual a empresa terá transmitido que não vai acompanhar as exigências dos trabalhadores. O encontro antecipou a reunião de conciliação com a DGERT – Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho, que só deverá ocorrer em Fevereiro.
A decisão de avançar com mais uma greve saiu da concentração realizada no dia 11 de Dezembro e “visa denunciar a falta de vontade da empresa para negociar o caderno reivindicativo dos trabalhadores, numa empresa certificada, com recurso a tecnologia de ponta e altos padrões de qualidade alimentar”, diz o SINTAB em comunicado. De acordo com o mesmo sindicato, “apesar de já terem sido realizadas duas reuniões de conciliação na DGERT [Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho], a empresa continua sem apresentar qualquer proposta”.
Esta é a 26.ª greve por falta de reposta ao caderno reivindicativo em que os trabalhadores exigem um aumento salarial de 150 euros, a valorização do subsídio de refeição e do trabalho noturno, a implementação de diuturnidades, direito a 25 dias de férias e o fim do recurso à contratação precária, entre outras reivindicações.

Nobre diz que tem feito esforços
Contactada pela Lusa, a Nobre disse que dos 780 colaboradores, um máximo de 28% não compareceu ao trabalho. “Contudo, não é possível determinar se estas ausências se devem à participação na greve ou a outros factores”, precisou, em resposta à Lusa. A empresa considerou ainda ser inadequado avançar para a greve, quando se espera uma reunião de conciliação com a DGERT.
A Nobre lembrou que o sector enfrenta “desafios estruturais significativos” e sublinhou ter feito esforços contínuos para se adaptar às condições do mercado e salvaguardar os benefícios para os seus colaboradores. “Estas medidas reflectem o compromisso contínuo da empresa em equilibrar a sustentabilidade do negócio com o reconhecimento e a valorização da dedicação das suas equipas”, notou.
O MIRANTE também tentou contactar a administração da empresa, tendo colocado algumas questões à que não obtivemos resposta até ao fecho desta edição. Questionámos, nomeadamente, como é que a empresa avalia esta sucessão de paralisações laborais e o que tem impedido o entendimento entre a Nobre e os trabalhadores. Perguntámos ainda se estas greves têm tido impacto relevante no funcionamento e produção da empresa e se a sucessão de greves não pode causar alguns danos reputacionais à prestigiada imagem da empresa e à própria marca.

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