O futuro da Imprensa nas crónicas de J.M. Nobre Correia
Nobre Correia é o mais antigo cronista sobre os media em Portugal. Acaba de lançar o livro “A Mutação Mediática Anunciada”, que reúne quase 800 crónicas escritas nos últimos quase 40 anos nos jornais Expresso, Público e Diário de Notícias.
Acaba de sair para as bancas um livro de mil páginas da autoria do mais antigo e mediático autor de crónicas sobre imprensa. J.M. Nobre Correia reuniu todas as crónicas que publicou nestes últimos 35 anos nos jornais Público, Diário de Notícias e Expresso. O livro com o título “A Mutação Mediática Anunciada” é verdadeiramente uma antologia do que de melhor se escreveu sobre o mundo dos jornais nestes quase 40 anos em que o mundo da comunicação social escrita sofreu transformações quase radicais. É disso mesmo que o autor fala no prefácio do livro ao escrever que este conjunto de 792 crónicas permitem perceber o quanto “a paisagem mediática foi profundamente reconfigurada e em que o jornalismo foi alvo de um abanão que pôs em questão a(s) maneira(s) de o conceber, quando não a sua própria razão de ser e até mesmo a sua sobrevivência”.
O livro está organizado pelas datas em que as crónicas foram escritas e publicadas, o que ajuda a orientar o leitor sobre as diversas matérias abordadas e o tempo em que foram escritas. Recorde-se que J.M. Nobre Correia era professor de informação e comunicação em Bruxelas há 23 anos, quando iniciou esta colaboração com os jornais portugueses, tendo ficado cerca de mais 20 anos, num total de 46, na capital da Bélgica. “A Mutação Mediática Anunciada, embora junte textos que fazem o livro ultrapassar as mil páginas, não dispensa um prefácio e posfácio do autor que considera que “as profundas mutações” mostram “tentações autocráticas” por toda a Europa, o que dá razões de sobejo “para que a pluralidade dos media seja preservada e para que o pluralismo dos factos, das análises e das opiniões seja reforçado, de modo a garantir a solidez da qualidade da informação proposta aos cidadãos e a liberdade de escolha destes”.
Professor de comunicação em Bruxelas a escrever sobre jornais portugueses
Autor de vários livros sobre os media, uns como autor e outros tantos como co-autor, J. M. Nobre Correia já apresentou na redacção de O MIRANTE o livro “Média, Informação e Democracia”, um livro de 2019 com edição da Almedina. Nessa altura, o cronista reconheceu que os “media regionais têm melhores perspectivas de futuro”, frase que deu título a um texto onde Nobre Correia defende que “o leitor interessa-se por aquilo que lhe é próximo e é aí que a resposta do jornalismo regional difere da do jornalismo nacional. O jornalista local conhece as pessoas, conhece os sítios, a junta de freguesia ou os eleitos de uma assembleia municipal. Sabe que não pode falhar um nome, sabe que há uma maior exigência de rigor”, referiu. J.M. Nobre Correia é natural do Fundão, e viveu mais de meio século em Bruxelas onde foi estudante, investigador, assistente e professor. Leccionou nas universidades de Bruxelas, Paris e Coimbra. Actualmente vive na sua terra natal.

