Mudanças na FICOR dividem posições no executivo de Coruche
A Feira Internacional da Cortiça (FICOR), evento criado em Coruche e intimamente ligado ao sector corticeiro e ao montado de sobro, esteve no centro das preocupações manifestadas pelo movimento independente Volta Coruche/25, que criticou a decisão de passar a realizar a feira apenas de dois em dois anos, em alternância com uma cidade espanhola.
Para o vereador Dionísio Mendes, trata-se de uma perda de protagonismo de Coruche sobre uma marca que considera ser do concelho e que está profundamente ligada à sua identidade, economia e território. O autarca sublinha que Coruche continua a ser a maior unidade geográfica produtora de cortiça a nível mundial, com milhões de rolhas produzidas e centenas de postos de trabalho associados ao sector, defendendo que a evolução e inovação da FICOR não podem significar a desvalorização do evento.
Vincou ainda que a feira deve manter-se como um certame de carácter profissional, orientado para o negócio, criação de valor e afirmação do montado de sobro e da produção de cortiça como elementos centrais do território, considerando que abdicar da realização anual e partilhar a marca com um território estrangeiro representa uma perda de centralidade que deve ser seriamente ponderada.
O presidente da Câmara de Coruche, Nuno Azevedo, explicou que este modelo já se encontrava instituído, tendo em conta a afluência registada em edições anteriores, reconhecendo, no entanto, que é possível criar novas dinâmicas, parcerias e ofertas associadas ao evento. O autarca esclareceu que a marca FICOR se mantém associada a Coruche, sendo reconhecida como tal a nível nacional e europeu, acrescentando que o investimento necessário para a realização anual da feira era muito elevado.

