Cheias expõem fragilidade das travessias do Tejo no distrito de Santarém
O encerramento da ponte da Chamusca e o corte ou condicionamento de 94 estradas no distrito de Santarém voltaram a expor um problema estrutural antigo: a escassez e o envelhecimento das travessias rodoviárias sobre o Tejo.
O encerramento da ponte da Chamusca e o corte ou condicionamento de 94 estradas no distrito de Santarém voltaram a expor um problema estrutural antigo: a escassez e o envelhecimento das travessias rodoviárias sobre o Tejo. Com alternativas distantes e limitadas, a mobilidade, a economia e a resposta da protecção civil ficam seriamente comprometidas. Para o presidente da Comissão Distrital de Protecção Civil de Santarém e da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, a situação é “preocupante” e evidencia limitações antigas da rede viária. “Com várias estradas submersas e a ponte da Chamusca encerrada, ficam muito poucas alternativas de travessia”, afirmou, defendendo a urgência de investimentos há muito reclamados para o Médio Tejo e a Lezíria.
A alternativa mais próxima é a ponte da Praia do Ribatejo, em Constância, que liga a Vila Nova da Barquinha, mas onde é proibida a circulação de veículos pesados, condicionando o transporte de mercadorias e serviços essenciais. Na prática, as travessias viáveis passam por Abrantes ou Santarém, obrigando a percursos longos num momento em que persistem dezenas de vias intransitáveis.
O distrito dispõe apenas de cinco travessias rodoviárias sobre o Tejo, distribuídas ao longo de mais de 100 quilómetros de rio, sendo quase todas centenárias e desajustadas às necessidades atuais. “Quando uma travessia central fica encerrada, as alternativas ficam longe e inadequadas”, sublinhou Valamatos, alertando para impactos diretos no socorro, na saúde e no abastecimento. “Estas situações repetem-se com maior frequência e obrigam-nos a planear melhor. O distrito precisa de investimentos estruturais. É tempo de passar das promessas aos actos”, concluiu.
À margem/opinião
A resiliência de uma região
Poucos dias depois da depressão Kristin ter deixado um rasto de estragos e cansaço, a água voltou a subir como há muito tempo não se via na Lezíria e Médio do Tejo. Nas zonas ribeirinhas, há quem saiba exactamente quando é hora de sair, quem já tenha sacos preparados e quem tenha aprendido, pela experiência, que enfrentar a natureza raramente é uma opção. Impressiona a forma como esta nova calamidade foi enfrentada. No entanto, a capacidade de resiliência não pode servir de desculpa para a falta de soluções estruturais e planeamento sério.

