Mapa de pessoal aquece ânimos no Cartaxo
Contratação de quatro funcionários expõe divergências sobre modelo de gestão municipal. Debate instalou-se entre redução de custos fixos e resposta às novas competências impostas pelo Estado.
A proposta de recrutamento para quatro postos de trabalho no município do Cartaxo gerou discussão acesa em reunião de câmara, com visões diferentes sobre o futuro da gestão autárquica. O vereador do Chega, Luís Albuquerque, questionou a necessidade de reforçar o quadro de pessoal, defendendo que a autarquia deve apostar na contratação de serviços externos e reduzir o peso dos funcionários permanentes. O autarca alegou que cerca de 50% do orçamento municipal é absorvido por salários, defendendo que “por cada funcionário que entra, deviam sair dois”, numa lógica de contenção estrutural da despesa. A afirmação foi contrariada por Ricardo Magalhães (PS), que apresentou números actualizados: os encargos com pessoal rondam os nove milhões de euros num orçamento global de 25 milhões, o que corresponde a cerca de 35%, longe dos 50% apontados pelo Chega. Do lado da maioria, Maria de Fátima Vinagre (PSD) justificou a abertura de uma vaga na área de Psicologia com o trabalho desenvolvido no âmbito dos Contratos Locais de Desenvolvimento Social (CLDS) e recordou que, desde Dezembro, saíram 18 funcionários da autarquia. Sublinhou ainda que a regra de saída de dois trabalhadores por cada nova entrada foi aplicada no período da troika e não corresponde à actual realidade legal.
O presidente da câmara, João Heitor (PSD), foi mais longe, defendendo que as necessidades de recrutamento decorrem das novas competências transferidas pelo Estado Central para os municípios, sem a correspondente cobertura de recursos humanos. Considerou que a posição do vereador do Chega revela desconhecimento sobre as exigências actuais da administração pública e frisou que nem todas as funções podem ser externalizadas.

