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Urgências obstétricas de VFX com funções reduzidas e grávidas a conta-gotas
Hospital VFX vai ficar esvaziado das urgências de ginecologia depois de meses em que o serviço foi definhando - foto arquivo O MIRANTE

Urgências obstétricas de VFX com funções reduzidas e grávidas a conta-gotas

Mudança acontece já a 16 de Março: em Vila Franca de Xira serão atendidos apenas os partos programados, segundo o director executivo do Serviço Nacional de Saúde. Autarcas e utentes continuam inconformados com a decisão do Governo e mais de um milhar de pessoas assinou uma petição contra a medida.

A partir de 16 de Março as urgências de ginecologia e obstetrícia do Hospital Vila Franca de Xira vão perder importância e apenas serão assegurados naquela unidade os partos programados ou situações consideradas “simples” pelas triagens feitas previamente pela linha Saúde 24. Todas as restantes situações, especialmente as urgentes, serão encaminhadas para o Hospital Beatriz Ângelo em Loures, onde funcionarão as urgências principais de ginecologia e ginecologia da região.
“As urgências de VFX não vão encerrar, vão continuar abertas mas apenas para receber casos mais ligeiros”, explicou Álvaro Almeida, director executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que na quinta-feira, 5 de Março, esteve reunido com as administrações das duas unidades locais de saúde responsáveis pelo funcionamento dos dois hospitais. A situação continua a não satisfazer os autarcas e os utentes da região, que criticam o facto de a situação obrigar, em alguns casos como os concelhos de Azambuja ou Benavente, a deslocações dos utentes superiores a 50 quilómetros.
A avaliação dos casos será feita através da linha SNS24, antes das grávidas se dirigirem às urgências. De acordo com o director executivo do SNS, não haverá transferência de equipas, estando a ser elaborado um sistema de escalas entre as duas ULS que determinará quais as equipas que asseguram, em cada momento, o funcionamento da urgência centralizada.

Medida “inaceitável e insensível”
Fernando Paulo Ferreira, presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, já tinha reagido ao cenário do encerramento das urgências de ginecologia de VFX acusando a medida do Governo de ser “inaceitável, insensível e radicalmente oposta” aos interesses das populações. “Se esta decisão se verificar, o Ministério da Saúde deixa sem recurso 250 mil pessoas, entre as quais as mais frágeis e que merecem especial atenção”, afirmou.
O autarca lembrou que a ministra tem feito orelhas moucas aos pedidos de reunião dos autarcas servidos pelo hospital e considerou que enfraquecer os serviços daquela unidade é uma decisão errada. “Chegou a hora de nos unirmos, trazer as vozes das pessoas à grande arena da opinião pública e da casa da democracia para evitar este assassinato de um hospital que tem todas as condições para ter mais serviços e melhores condições de resposta às necessidades das pessoas. A hora é grave e exige união”, apelou.

Petição com mais de 1.300 assinaturas
À data de fecho desta edição, a petição lançada online pelos presidentes dos municípios de Alenquer, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Benavente e Vila Franca de Xira - do qual são os primeiros subscritores - já tinha sido subscrita por 1.375 pessoas. O documento, lançado na página da própria Assembleia da República, solicita ao Governo que seja reconhecida a extrema necessidade de manter em funcionamento a Urgência Obstétrica do Hospital Vila Franca de Xira e que seja imediatamente suspensa qualquer decisão de encerramento ou transferência deste serviço.
Os subscritores pedem igualmente que sejam adoptadas medidas urgentes para reforçar a capacidade do serviço, nomeadamente ao nível dos recursos humanos, evitando a sua degradação e garantindo a sua plena operacionalidade. Pedem também que seja apresentado publicamente um plano de melhoria sustentado, que assegure a “continuidade, qualidade e segurança dos cuidados materno infantis” no HVFX. “Os subscritores afirmam o seu inequívoco compromisso com a defesa das populações da região e com a preservação de um serviço vital que não pode ser sacrificado em reorganizações administrativas que se traduzem num retrocesso de décadas no serviço prestado, porque se trata de uma questão de justiça, equidade e protecção do direito fundamental à saúde”, lê-se no documento.

À margem

Uma herança pesada

A gestão que o Hospital Vila Franca de Xira teve nos últimos quatro anos já apontava para um desfecho destes. O gestor que por ali passou - e que entretanto foi colocado a gerir outra área da saúde nacional - recebeu dos grupos privados um hospital de excelência e conseguiu em quatro anos mudar a unidade do avesso, deixando um legado de decisões questionáveis, desinvestimento e degradação progressiva dos serviços. Agora dá-se o fecho das urgências obstétricas mascarado de redução de serviços que apanha os actuais gestores de mãos atadas e sem grandes formas de contornar uma pesada herança. Apesar de em Janeiro deste ano terem nascido mais crianças no HVFX do que na maioria dos últimos meses, a verdade é que esses resultados positivos já não foram suficientes para mudar a mente do Governo e aliviar o lastro deixado pelos anteriores gestores, que foi demasiado pesado para mudar.
Filipe Matias

Urgências obstétricas de VFX com funções reduzidas e grávidas a conta-gotas

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