Cartaxo aumenta orçamento com saldo de oito milhões mas oposição pede menos dinheiro parado e mais obra
Revisão orçamental para 2026 foi aprovada na assembleia municipal, mas o aumento do saldo de gerência gerou críticas e dúvidas sobre a capacidade de execução do município.
A Assembleia Municipal do Cartaxo aprovou o mapa de desempenho orçamental e a primeira alteração orçamental para 2026, numa sessão marcada pelo debate em torno da integração de mais de oito milhões de euros de saldo de gerência no orçamento municipal. Entre críticas da oposição e elogios à gestão do executivo, o presidente da câmara, João Heitor, garantiu que o reforço financeiro vai servir para dar resposta a obras, pavimentações e outros projectos estratégicos do concelho. Segundo explicou o autarca, o município vai incorporar no orçamento cerca de nove milhões de euros transitados do ano anterior. No entanto, esse valor é parcialmente compensado por uma quebra de 947 mil euros em receita, relativa a impostos ainda não transferidos pela Autoridade Tributária. Na prática, o orçamento global do município sobe de 48 para 56 milhões de euros.
João Heitor sublinhou que uma parte significativa da verba será canalizada para reforçar empreitadas já previstas, mas cuja dotação inicial era insuficiente. Pavimentações e outros investimentos considerados prioritários estão entre os principais destinos do reforço agora aprovado. O aumento do saldo de gerência levantou reservas por parte do deputado do Chega, Miguel Ribeiro, que questionou se a acumulação de verba não revela atrasos na execução de projectos e prejuízo para a população. “Nós não queremos um saldo de gerência muito grande de ano para ano, queremos é obra feita”, afirmou. Em resposta, João Heitor admitiu que o executivo gostaria de avançar mais depressa, mas lembrou que há constrangimentos que não dependem apenas da autarquia. Ainda assim, garantiu que as obras previstas estão em curso ou em fase de arranque, defendendo que o saldo resulta de uma gestão prudente e rigorosa, e não de inércia. Do lado do PS, Vasco Casimiro questionou se parte da verba poderá ser usada para reparar os estragos provocados pelas recentes tempestades no concelho. O presidente da câmara respondeu que o reforço se destina sobretudo a projectos já inscritos no orçamento, embora admita recorrer a essa margem financeira em situações urgentes. João Heitor reconheceu danos em estradas e infraestruturas municipais, mas defendeu que uma parte relevante desses custos deverá ser suportada pelo Estado.

