José Alberto Moreira quer devolver vida à Casa do Povo de Almeirim
Aos 87 anos o presidente da Casa do Povo de Almeirim prepara-se para deixar a liderança da instituição, mas não sem antes lançar as bases para a sua requalificação. Motorista durante 33 anos, músico durante meio século e dirigente associativo ao longo de décadas, José Alberto Moreira continua a acreditar que as associações são uma das grandes forças das comunidades.
José Alberto Moreira, 87 anos, não sabe estar parado. Presidente da Casa do Povo de Almeirim há três anos e dirigente associativo há várias décadas, encara o actual mandato com a missão de deixar a instituição preparada para o futuro antes de passar a pasta à próxima direcção. O objectivo é devolver centralidade a um espaço que, durante muitos anos, foi ponto de encontro, apoio e referência para a população. A Casa do Povo de Almeirim foi inaugurada na década de 60 e chegou a concentrar diversos serviços no mesmo edifício. Antes da criação do centro de saúde funcionavam ali consultórios médicos e eram prestados apoios sociais aos associados, incluindo empréstimos para construção ou recuperação de habitação. Hoje, apesar da actividade do Orfeão de Almeirim, dos ranchos folclóricos e de outras colectividades que utilizam o espaço, o dirigente entende que é preciso criar novas dinâmicas. Entre as ideias para o futuro está a abertura da Casa do Povo a associações jovens, grupos culturais e projectos artísticos que possam usar as instalações e dar nova vida ao edifício. “Gostava que as pessoas voltassem a dizer: vou à Casa do Povo. Que sentissem que este espaço também lhes pertence”, afirma. Nos planos está também a criação de um museu dedicado à história da instituição, reunindo espólio que se encontra actualmente disperso por várias entidades do concelho.
Ao longo da vida, José Moreira esteve ligado a várias instituições, dos bombeiros à banda filarmónica, passando pelo Orfeão e por associações culturais. Para o presidente da Casa do Povo, o associativismo continua a ser essencial para fortalecer os laços comunitários, mas enfrenta hoje um dos seus maiores desafios: a falta de pessoas disponíveis para assumir responsabilidades. “Os jovens têm outros interesses e as associações sentem dificuldades em renovar os seus quadros”, lamenta. Apesar da energia que continua a demonstrar, José Moreira admite que está a chegar o momento de baixar o ritmo. O mandato termina este ano e o dirigente admite afastar-se gradualmente das direcções associativas. ”Continuarei disponível para ajudar, mas sem a responsabilidade que tenho agora”, confessa. A saída, reconhece, não será fácil. Quando deixou a banda filarmónica, depois de 50 anos ligado à música, sentiu o peso. Acredita que acontecerá o mesmo quando abandonar a presidência da Casa do Povo.
A grande prioridade da actual direcção é a requalificação do edifício da Casa do Povo. O projecto prevê a instalação de um elevador, renovação das casas de banho, climatização dos espaços, substituição de janelas, recuperação do telhado e adaptação do palco às exigências legais para pessoas com mobilidade reduzida. “Gostava de deixar isto pronto para a direcção que vem a seguir. A Casa do Povo precisa de voltar a ser um espaço vivo e útil para a população de Almeirim”, sublinha José Alberto Moreira. O investimento será faseado e dependerá do acesso a fundos comunitários, mas o actual presidente acredita que a intervenção será decisiva para devolver dignidade e utilidade a uma instituição que marcou várias gerações de almeirinenses.
Uma vida entre a estrada, música e associações
José Alberto Moreira cresceu numa família trabalhadora numa época marcada por dificuldades económicas. Começou cedo a ajudar o pai, que era funileiro, embora o seu sonho fosse seguir mecânica, mais concretamente aeromecânica. Depois do serviço militar escolheu outro caminho profissional e tornou-se motorista. Trabalhou durante 33 anos na Câmara de Almeirim, conduzindo autocarros. Ao longo de três décadas percorreu praticamente toda a Europa em viagens com grupos culturais e associações do concelho. A música acompanhou-o desde pequeno. Tocou durante 50 anos em bandas filarmónicas, passando por instrumentos como o bombardino, o contrabaixo e a tuba. Participou em várias bandas da região e também fora do concelho. O fim da actividade musical foi um dos momentos mais marcantes da sua vida.
O associativismo entrou-lhe no caminho aos 18 anos, através de convites de amigos e dirigentes locais. Passou pelos bombeiros voluntários, integrou direcções de clubes e associações, esteve ligado à banda filarmónica e ao Orfeão de Almeirim. Hoje, à frente da Casa do Povo de Almeirim, quer terminar o percurso como dirigente deixando obra feita.

