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A arte de conciliar a paixão pela medicina com a paixão pelo canto
Hélia Castro

A arte de conciliar a paixão pela medicina com a paixão pelo canto

Hélia Castro é médica em Almeirim e vive em Santarém. Hélia Castro é médica a tempo inteiro e cantora lírica quando tem tempo livre. As duas actividades sempre a atraíram desde a infância e ela conseguiu concretizar as duas paixões, embora mais uma que outra. A Medicina dá-lhe segurança económica. O canto dá-lhe outro tipo de satisfação. Actualmente participa no concurso de talentos da RTP “The Voice of Portugal”. Vive em Santarém há quase uma década e meia e gosta muito da qualidade de vida da região mas não gosta de touradas.

Edição de 17.11.2016 | Aniversário

Em criança brincava aos festivais da canção com a irmã e uma prima. Imitava as “Doce”, a primeira “girls band” portuguesa dos anos 80 do século XX, e cantava êxitos da época. Também costumava cantar no quintal da avó, empoleirada numa laranjeira. Apesar de já mostrar queda para a música, Hélia Castro não pensava ser cantora mas sim médica. Conseguiu concretizar o sonho sem nunca deixar de cantar. E até já chegou a pensar deixar medicina para se dedicar em exclusividade ao canto lírico.
A médica vive em Santarém e exerce actualmente no Centro de Saúde de Almeirim. Em Sangalhos, distrito de Aveiro, onde cresceu, morava em frente ao hospital. Diz que terá sido aí que cimentou o seu desejo de ser o que é hoje em termos profissionais.
“Era um hospital pequeno, comparado com as dimensões dos actuais, que servia as gentes da terra. Ali tudo era familiar e todos se conheciam. Faziam-se lá partos e várias cirurgias. O que mais gostava naquele hospital era da limpeza e brancura da sala de espera, das fardas impecáveis das enfermeiras, do cheiro a éter da sala de tratamentos, das histórias que ouvia sobre doentes. Funcionava tudo com muita ordem e respeito. Às vezes, o enfermeiro, o senhor Manuel Augusto, deixava-me assistir a algumas suturas e pensos e eu sentia-me uma doutora de verdade”, recorda.
Em som de fundo da sua vida estava sempre a música. Aos 12 anos começou a ter aulas particulares de piano. Gostava de ouvir música clássica, nomeadamente ópera e começou a descobrir as suas capacidades vocais.
A paixão pela música começou a ganhar forma quando aos 18 anos foi estudar Medicina para o Porto, sua cidade natal. Foi nessa altura que entrou para o Orfeão Universitário do Porto, onde conheceu o maestro Mário Mateus, que foi o seu primeiro professor de canto. Foi com a ajuda dele que conseguiu uma bolsa da Gulbenkian. “Os meus pais não viram com bons olhos a ideia de me estarem a pagar os estudos de Medicina e, de repente, terem de pagar também o curso de canto. Tiveram medo que eu me perdesse e não fizesse coisa nenhuma”, refere.
Mas não havia razão para receios. Em 1991, posta perante a opção de prosseguir os estudos superiores de música na recém-criada Escola Superior de Música e de Artes do Espectáculo do Porto, condição que lhe permitia continuar a receber a bolsa da Gulbenkian, ou continuar a estudar Medicina, escolheu a medicina e licenciou-se em 1994. No entanto foi mantendo as aulas de canto e completando as principais disciplinas do Conservatório.
A sua ligação a Santarém começa quando o marido aceitou um emprego em Lisboa. Em vez de irem morar para a capital decidiram ficar a viver no Ribatejo. “O meu marido tem família em Santarém e sabíamos que aqui teríamos mais qualidade de vida”, refere. Apesar de viver no Ribatejo há 14 anos, Hélia Castro nunca foi a uma tourada e é contra aquele espectáculo. “Desagrada-me profundamente que as pessoas se possam divertir a maltratar os animais. Acho bárbaro e primitivo”, desabafa com frontalidade.
Antes de Almeirim, Hélia Castro deu consultas na Extensão de Saúde de Alcanede (Santarém); no serviço de urgência do Hospital Distrital de Santarém; na Clínica de Hemodiálise Ribadial; no Lar de Idosos e de Acamados da Santa Casa da Misericórdia de Santarém; e na Unidade de Cuidados Continuados da Misericórdia de Santarém.
A médica não inveja nada nos homens e embora considere que cada homem é um homem diz que sente existir uma característica mais marcadamente masculina que é um certo egoísmo. Nos ambientes que frequenta nunca se sentiu discriminada por ser mulher mas tem a percepção de que há muita gente que faz ou tenta fazer essa discriminação. “Quem o faz sofre de insegurança, pois tem que rebaixar o outro para se sentir superior. Todos somos diferentes, cada qual com o seu valor, independentemente do sexo”, defende. É contra o actual sistema de quotas na política.
Em sua casa as tarefas são repartidas por todos. “Na casa do meu pai havia a seguinte regra: enquanto houvesse trabalho para fazer, todos ajudavam e no fim descansávamos todos. É esta a regra que tento manter na minha casa. O meu marido cozinha, lava, vai às compras e limpa a casa, sempre que é preciso. Eu se calhar até estou em vantagem porque não sei consertar os electrodomésticos e é ele que trata desses assuntos”.

A arte de conciliar a paixão pela medicina com a paixão pelo canto

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