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A freira que gosta de rir e que na infância jogava à bola e subia às árvores
Amália Saraiva

A freira que gosta de rir e que na infância jogava à bola e subia às árvores

Amália Saraiva está na Congregação das Irmãs Reparadoras de Nossa Senhora de Fátima. Gosta de rir, de ler, de ir ao cinema e ao teatro. Decidiu ser freira aos vinte anos e apesar dos pais serem pessoas de fé ficaram surpreendidos com a sua decisão. Foi Missionária em Moçambique e Timor e diz que aprendeu muito com aqueles a quem foi ajudar. É, desde Janeiro de 2015, directora da revista Stella.

Edição de 17.11.2016 | Aniversário

Aos 20 anos já Amália Saraiva tinha decidido que caminho trilhar na vida. Diz que sempre demonstrou uma enorme vontade em conhecer Deus e que a sua vocação se foi fortalecendo e esclarecendo ao longo do tempo. No entanto, nem tudo foi fácil. Quando comunicou à família a sua decisão de seguir a vida religiosa, a primeira reacção do seu pai foi demovê-la.
“Ninguém tinha percebido que queria ser freira por isso quando lhes comuniquei a minha intenção ficaram muito surpreendidos. Disse-o de forma muito determinada o que criou alguma tensão e sofrimento. O meu pai tentou demover-me dessa ideia num primeiro momento. Apesar de ser uma pessoa de fé, tinha idealizado outra coisa para mim. A minha mãe também ficou surpreendida mas aceitou logo. Depois desse primeiro choque apoiaram-me”, recorda Amália Saraiva, que tem mais dez irmãos.
A freira Amália Saraiva, da Congregação das Irmãs Reparadoras de Nossa Senhora de Fátima, que se situa a poucos metros do Santuário de Fátima, teve uma infância feliz na aldeia de Santa Marinha, concelho de Seia, na Serra da Estrela, onde nasceu há 53 anos. Gostava muito de brincar e era uma Maria-rapaz. Jogava à bola com os rapazes, andava de bicicleta e subia às árvores.
Na adolescência chegou a ter alguns pretendentes mas recusou sempre namorar. “Nessa altura eu já sentia uma grande vontade de conhecer Deus e de fazer bem aos outros. Foram estas duas ideias que me trouxeram para aqui,”explica.
Amália Saraiva pormenoriza o caminho percorrido. “O chamamento não é claro, no início. Não sentimos o chamamento de forma clara e explicita. Isso vai-se esclarecendo ao longo tempo. Durante o processo do caminho da fé tive muitas dúvidas mas nunca tive dúvidas em relação à minha vocação. Nunca tive dúvidas que este era o caminho que queria para mim”, conta.
Licenciada em Educação, e com uma especialização em educação de adultos, foi missionária. Esteve três anos em Moçambique e três meses em Timor. Garante que trouxe consigo uma riqueza imensa de ambas as experiências.
“Quando pensamos em ir para as missões achamos que vamos ajudar as pessoas e dar um contributo válido no aprofundamento da sua fé e a nível do desenvolvimento humano e educativo. Na verdade trazemos muito mais do que eventualmente podemos dar. As pessoas, que são os nossos interlocutores e formandos, são também nossos formadores. É uma troca de experiências muito rica uma vez que estamos num ambiente que desmonta todo o nosso esquema mental.”
A Irmã Amália Saraiva dirige, desde Janeiro de 2015, a revista Stella - criada pelo padre Manuel Formigão (fundador da Congregação das Irmãs Reparadoras de Nossa Senhora de Fátima) há cerca de 80 anos. Não vê televisão por opção, à excepção dos noticiários. Tem telemóvel e utiliza a internet mas recusa-se a ter conta na rede social Facebook. “Quando me convidaram para directora da revista Stella impus como condição que eu não tivesse que ter conta no Facebook. A revista pode ter e a conta ser gerida por outra irmã. Não sou apreciadora das redes sociais, não me identifico com esse tipo de comunicação, embora lhe reconheça a utilidade. De resto, utilizo a internet que é um instrumento de trabalho muito importante”, explica.
Considera-se uma pessoa com sentido de humor e gosta de se rir com as pessoas que sabem rir-se da vida. Vai ao cinema ver filmes “muito direccionados”. “A Ressurreição” foi o último que viu este ano. Recentemente foi ao teatro, com a sua irmã mais nova que vive em Lisboa, ver a peça “Um Diário de Preces”, depois de ter gostado muito de ler o livro com o mesmo título.
Ler é um dos seus passatempos preferidos. Gosta de passar as suas férias na sua aldeia com a família. As festas do Natal e da Páscoa são passadas com a sua família de opção, na Congregação. “Se houver um acontecimento importante na nossa família por esta altura vamos ter com eles”, afirma.
O seu dia-a-dia é passado entre a oração e o trabalho. O dia começa com meditação, seguindo-se uma oração comunitária. Além de dirigir a revista Stella, a irmã Amália trabalha no núcleo museológico que a Congregação está a criar para expor e dar a conhecer o espólio do Padre Manuel Formigão, cujos restos mortais serão trasladados para a casa da Congregação em Janeiro do próximo ano.

A freira que gosta de rir e que na infância jogava à bola e subia às árvores

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