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“A lei da paridade pode vir a ser útil no futuro para garantir a presença de homens na política”
Fernanda Asseiceira

“A lei da paridade pode vir a ser útil no futuro para garantir a presença de homens na política”

Fernanda Asseiceira - Presidente da Câmara Municipal de Alcanena. As declarações da presidente da Câmara Municipal de Alcanena sobre a igualdade de género e sobre as diferenças entre homens e mulheres são sérias e bem fundamentadas mas por vezes Fernanda Asseiceira tempera-as com observações reveladoras de uma fina ironia.

Edição de 17.11.2016 | Aniversário

O caminho faz-se caminhando e caminhando com optimismo. Esta poderia ser uma forma de resumir o pensamento da presidente da Câmara de Alcanena, Fernanda Asseiceira, sobre o acesso das mulheres a cargos de direcção e chefia e sobre o facto de muitas serem preteridas em favor de homens apesar das suas capacidades e qualidades.
“O meu caso reflecte o oposto! Fui eleita presidente de câmara. É um facto que ainda não há muitas. Também conheço algumas mulheres empresárias! Também não são muitas. Mas o caminho está a ser percorrido. Há mulheres muito competentes e as oportunidades vão acontecer. Sou optimista a esse respeito”, declara. Diz também que: “São importantes mais medidas de reforço da conciliação familiar com a vida profissional”.
Sobre a igualdade refere: “Um grande caminho já foi percorrido, no sentido de termos uma sociedade mais igual, mas admito que muito ainda falta fazer”.
A autarca considera que o sistema de quotas imposto por lei para as listas de candidatos a cargos políticos foi uma ajuda no sentido da igualdade.
“A Lei da Paridade é para igualizar o acesso quer de homens quer de mulheres! Se não tivesse existido o sistema de quotas teríamos hoje menos mulheres na política. São medidas que fazem sentido num determinado tempo. Se hoje podem não fazer sentido isso é óptimo. Só significa que o seu objectivo foi atingido”. E Fernanda Asseiceira não resiste a uma pitada de humor ao considerar que o sistema acaba por ser sempre útil. “Até porque vai ser necessário para um dia garantirmos a presença dos homens!”.
Quando decidiu entrar na política a família não foi grande apoiante da sua decisão mas também não criou grandes obstáculos. As opiniões de familiares e amigos foram ouvidas com a atenção que diz dar a todas as críticas. “As nossas funções são públicas e eu considero natural a avaliação ou criticas que são feitas à nossa acção. Mas também considero que se tem que valorizar mais a crítica positiva”, defende.
Sobre a forma como está no cargo para que foi eleita diz que é uma enorme honra fazer o que faz e que procura fazê-lo o melhor possível. A presidente da Câmara de Alcanena gosta de ser alvo de atenções e de manifestações de simpatia e nota que o cavalheirismo também se está a perder. No entanto defende que o reconhecimento do valor das pessoas “não se faz com ‘mimos e atenções’!”.
Fernanda Asseiceira confessa que nunca sentiu pena de não ter nascido rapaz e não sente qualquer grande inveja do mundo masculino com uma pequena excepção. “Não é inveja!! Mas destaco o terem menos preocupações com a parte mais “estética” e com o vestuário! Pelo menos a maioria!!”, explica.
Tem ideia que as mulheres conseguem ter mais capacidade para pensar e agir de forma mais abrangente e que são mais determinadas nos objectivos que pretendem atingir e aponta como uma característica da maioria dos homens uma certa forma de encararem as doenças. “Um traço comum a quase todos que é partilhado por muitas de nós é que qualquer sintoma de problema de saúde é transmitido de forma “agravada” pelos homens!”, sublinha.

“A lei da paridade pode vir a ser útil no futuro para garantir a presença de homens na política”

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