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“A maior parte das mulheres só não está em cargos de chefia por opção”
Maria Salomé Rafael

“A maior parte das mulheres só não está em cargos de chefia por opção”

Maria Salomé Rafael - Empresária e Presidente da Nersant - Associação Empresarial da Região de Santarém. A presidente da Nersant considera que em Portugal tem havido progressos no capítulo da igualdade de género e que nesta altura muitas mulheres só não estão a desempenhar cargos de chefia por condicionamentos de índole pessoal ou familiar ou por simples opção.

Edição de 17.11.2016 | Aniversário

A presidente da direcção da Nersant - Associação Empresarial da Região de Santarém não tem inveja de ninguém e por isso não inveja nenhuma característica que considera comum à generalidade dos homens. Mas isso não a impede de afirmar que, e citamos; “A maioria dos homens têm em comum o encanto e a sedução”.
Habituada a ser alvo de atenções e elogios defende que nem sempre os mesmos são motivados pelo reconhecimento do seu valor enquanto empresária ou dirigente associativa.
“Penso que os homens foram educados para terem uma atenção muito própria para com as mulheres, por isso acho que na maior parte das situações se trata de um acto de cavalheirismo”, esclarece.
Salomé Rafael confessa que durante a adolescência houve alturas em que teve pena de não ter nascido rapaz. “Foi por volta dos meus 14, 15 anos. Queria sair com as minhas amigas, ir ao café e ao cinema e a minha mãe não me deixava porque não era habitual as raparigas naquela altura terem esse tipo de liberdade. Questionei-me muitas vezes se, por acaso, tivesse nascido rapaz não teria a vida um pouco mais facilitada”.
Actualmente, mulher realizada e respeitada diz sobre as mulheres em geral que as principais diferenças em relação aos homens são “(...) a sensibilidade, a persistência, a capacidade de executarem e coordenarem várias actividades em simultâneo, o que lhes dá alguma vantagem sobre os homens.”.
Considera que em Portugal tem havido progressos no capítulo da igualdade de género e defende que as melhorias vão continuar. “A igualdade de género tem vindo a melhorar devido à evolução da própria sociedade ocidental onde nos encontramos. No entanto, persistem algumas situações discriminatórias que cabe a todos nós denunciar”, diz.
Acrescenta que por vezes percebe que as mulheres só não estão em determinados cargos de direcção e chefia porque não querem. “Tenho verificado que as mulheres têm demonstrado muita disponibilidade para participarem na vida política. No entanto, no que diz respeito a outras actividades que as obrigam a uma disponibilidade diferenciada, nota-se que há menos participação. Não porque haja alguma atitude discriminatória por parte dos homens, mas porque são opções tomadas pelas mulheres, em função da sua vida familiar, pessoal”, defende.
Empresária na área da educação e formação profissional, Salomé Rafael acredita que a sua actividade não foi fruto do acaso. “Acredito que sou empresária por tradição familiar. Penso que essa herança familiar teve alguma influência nas opções que tomei”, confessa. Quanto ao facto de ser dirigente de uma das maiores associações empresariais do país reconhece que o cargo lhe ocupa muito tempo mas diz que “tudo se consegue com equilíbrio e bom senso”.
Nas horas vagas gosta de estar com a família, viajar, ler, ir ao cinema e ter tempo para contemplar o que lhe dá alguma tranquilidade. Sobre touradas e futebol diz o que tem a dizer sem subterfúgios. “Já fui a uma tourada e confesso que não gostei. Até achei as pegas muito interessantes, mas o resto não me despertou interesse. Quanto ao futebol, já assisti a vários jogos até porque o meu marido era jogador de futebol.”
A presidente da Nersant gosta de música clássica e menciona Bach, Beethoven e Liszt e de cantores clássicos como Frank Sinatra, Jacques Brel, Ella Fitzgerald. Num outro registo diz ouvir com agrado Pink Floyd, Queen e Vinicius de Moraes e os portugueses Carlos do Carmo, Amália, Rui Veloso, Simone e Jorge Palma. Os seus escritores preferidos são Gabriel García Márquez, Umberto Eco, Milan Kundera e José Luís Borges. Também gosta de Vergílio Ferreira, Alçada Baptista, Aquilino Ribeiro e Augustina Bessa Luís e da poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen e Alexandre O’Neill.

“A maior parte das mulheres só não está em cargos de chefia por opção”

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