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“Boas leis não mudam mentalidades e já me mandaram ir para casa coser meias”
Anabela Freitas

“Boas leis não mudam mentalidades e já me mandaram ir para casa coser meias”

Anabela Freitas - Presidente da Câmara Municipal de Tomar. Portugal não precisa de mais leis sobre igualdade entre mulheres e homens porque já tem das melhores leis do mundo. Do que precisa é de promover a mudança de mentalidades. Para dar um exemplo de que isso não se faz por decreto, Anabela Freitas conta que na campanha eleitoral de 2013 alguém a mandou para casa coser meias. Uma opinião não partilhada pela maioria dos eleitores que a elegeu presidente.

Edição de 17.11.2016 | Aniversário

A presidente da Câmara Municipal de Tomar gosta de ser mulher e não se lembra de alguma vez ter desejado ter nascido rapaz. “Tenho muito orgulho em ser mulher. Há algo que só uma mulher pode experienciar, a maternidade, e isso é algo único”, afirma. Acrescenta que o facto de ser mulher nunca a impediu alguma vez de lutar e perseguir os seus sonhos, embora saiba que por vezes teve que lutar mais do que se fosse homem.
Sobre os homens em geral, e salvaguardando o facto de cada um ter a sua própria personalidade, Anabela Freitas diz que lhes reconhece uma capacidade de “desligar” mais rapidamente que as mulheres. E acrescenta outra característica masculina. “Acho que existe um traço comum, fruto talvez da educação que é a necessidade de protagonismo”. Quanto às mulheres, em termos gerais, diz que têm mais capacidade de escutar os outros e de se colocarem no seu lugar, embora reconheça que também há homens capazes do mesmo.
A autarca lamenta que em termos de igualdade ainda estejamos um pouco atrasados. “Em termos legislativos Portugal tem das leis mais avançadas da Europa e até do mundo mas a mudança de comportamentos não se processa por decreto. Na prática ainda há um desfasamento entre a lei e a realidade, fruto do isolamento que Portugal teve durante os anos de ditadura, do sistema de ensino, que apesar de hoje em dia já alertar para essa questão, durante muitos anos o que passava nos próprios manuais escolares era que o homem tinha uma posição pública e a mulher uma posição mais privada”, pormenoriza.
No entanto reconhece que há casos em que são as mulheres que não aceitam cargos de responsabilidade. “O facto das mulheres continuarem tão afastadas de cargos de direcção e chefia deve-se, em alguns casos, à dificuldade em atingir esses lugares e noutros à vontade própria, porque apesar da distribuição das tarefas e do cuidar dos filhos já estar mais repartido, o grosso do trabalho ainda recai sobre elas”, opina.
Quando lhe perguntámos o que é que mudava no país político em favor das mulheres respondeu: “Não se deve mudar em favor das mulheres mas deve-se mudar em favor da construção de uma sociedade onde estes temas façam parte do nosso passado e história”.
Anabela Freitas aproveita as poucas horas vagas que tem para ler, nomeadamente policiais, e cozinhar, sobretudo doces. E diz que não passa sem ouvir música, mesmo quando está a trabalhar. Em termos musicais confessa-se muito eclética. Tanto ouve musica clássica, nomeadamente Vivaldi e Bach, por exemplo, como AC/DC, dependendo do seu estado de espírito.

“Boas leis não mudam mentalidades e já me mandaram ir para casa coser meias”

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