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“Nunca gostei de ficar para trás nem a brincar e os vestidinhos atrasavam-me”
Cristina Santos

“Nunca gostei de ficar para trás nem a brincar e os vestidinhos atrasavam-me”

Cristina Santos - directora financeira da empresa municipal “Viver Santarém”. Entre as respostas politicamente correctas e aquilo que pensa realmente diz que não hesitou. Diz que gosta de ver touradas embora sinta que não deveria gostar e que quando se trata de mandar em casa nem sempre impera o sistema democrático.

Edição de 17.11.2016 | Aniversário

Cristina Santos é frontalmente contra a lei que obriga os partidos políticos a incluírem um terço de mulheres nas listas de candidatos. “Acho um princípio discriminatório perigoso para as mulheres pela ambiguidade que gera. Permite sempre a dúvida se a mulher está numa determinada posição por mérito próprio ou por aritmética e a simples possibilidade de existência desta dúvida não é aceitável para nenhuma mulher. Uma leitura atenta e séria da nossa Constituição teria resolvido a questão formal”, defende.
Ainda sobre as mulheres e a política, a directora financeira da Viver Santarém diz que actualmente se não há mais mulheres na política é por opção delas. “Nos dias de hoje não há nenhuma razão que justifique este facto, excepto por desinteresse das próprias mulheres no desempenho das funções porque terão outras prioridades e objectivos de vida que não as motivam à disputa dos lugares”.
Embora queira acreditar que já existe igualdade entre homens e mulheres em Portugal percebe que uma coisa é o seu desejo e outra a realidade e cita a recente divulgação de um estudo que indica que o valor dos salários das mulheres no nosso país é, em média e para as mesmas tarefas, inferior ao dos homens.
A única altura em que sentiu pena de não ser rapaz foi em criança. “Subir às árvores, andar de bicicleta ou jogar à bola de vestidinho fazia-me ficar para trás e nessas alturas senti que se fosse um rapaz ninguém me vestiria vestidinhos! Nunca gostei de ficar para trás, nem a brincar”.
Actualmente já não tem qualquer inveja dos homens e até se sente uma privilegiada por ter nascido mulher. “A maior vantagem das mulheres em relação aos homens é o privilégio de podermos ser mães. Aparte a biologia, não reconheço mais nenhuma característica que possa ser uma vantagem exclusivamente feminina”.
Cristina Santos gosta de touradas à portuguesa e já assistiu a algumas e põe para trás das costas qualquer vontade que exista de ser “politicamente correcta”. “Reconheço que poderá ser um espectáculo controverso, até para mim é, mas a minha emoção numa boa lide a cavalo ou numa boa pega faz-me esquecer a controvérsia e aprecio o momento”, afirma.
E também foge à resposta “politicamente correcta” quando interrogada sobre quem deve mandar em casa. “A resposta politicamente correcta seria que ninguém deve mandar e que deve existir partilha e equidade nas decisões mas na prática sabemos que existem momentos em que é necessário alguém assumir a liderança. Na minha casa gosto de pensar que sou eu que mando porque sou a mãe e é minha a maior fatia da responsabilidade, mas reconheço que nem sempre é assim. A maior parte das decisões são tomadas ou por acordo com os meus dois filhos adultos que vivem comigo ou porque um de nós persuade os outros dois”, explica.
Termina as declarações para o inquérito com uma pitada de humor dizendo que estava à espera que O MIRANTE lhe perguntasse se sabia os números do próximo sorteio do Euromilhões com jackpot e que gostaria de responder afirmativamente.

“Nunca gostei de ficar para trás nem a brincar e os vestidinhos atrasavam-me”

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